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Cachês elevados e vínculos políticos marcam contratações do Carnaval de Olinda

por | 14 fev, 2026

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Reprodução/Instagram @mirellaalmeida

Um levantamento sobre os contratos do Carnaval de Olinda de 2025, feito pelo portal Marco Zero, revelou um padrão de contratações com cachês elevados para artistas e bandas de pequeno porte, muitos sem histórico relevante na cena cultural do estado, enquanto agremiações tradicionais do frevo receberam valores significativamente menores. Os dados foram analisados a partir do Portal da Transparência do município e da ferramenta Tome Conta, do Tribunal de Contas de Pernambuco.

Segundo a apuração, a gestão da prefeita Mirella Almeida empenhou cerca de R$ 3 milhões para aproximadamente 30 atrações de menor projeção, com cachês que variaram entre R$ 50 mil e R$ 70 mil por apresentação, sobretudo em polos descentralizados e blocos de bairro. Em contraste, dez das mais tradicionais agremiações de frevo da cidade dividiram menos de R$ 500 mil para realizar diversos desfiles ao longo do Carnaval.

Entre os casos destacados está o da banda Forró Arreda e Dance, que realizou cinco apresentações com cachê individual de R$ 50 mil, somando R$ 250 mil em recursos públicos. Em contato com a produção do grupo, a reportagem apurou que o valor cobrado para shows privados seria bem inferior. Após a divulgação da investigação, vídeos das apresentações foram retirados de plataformas digitais.

A análise também identificou que várias dessas contratações envolveram produtoras com vínculos familiares entre si e registradas no mesmo endereço, no município de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife. Juntas, essas empresas concentraram mais de R$ 3 milhões em empenhos. Parte das apresentações ocorreu em blocos ligados ou apoiados por vereadores e lideranças políticas locais.

Outro ponto que chamou atenção foi a assinatura de autorizações de contratação por uma secretaria cujo orçamento oficial não previa despesas específicas com o Carnaval, enquanto o montante total da festa, superior a R$ 13 milhões, estava alocado em outra pasta da administração municipal.

Para a Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo), os dados confirmam uma preocupação antiga do setor. Em nota, a entidade afirmou receber as informações “com espanto” e defendeu que a maior parte dos investimentos públicos seja destinada aos grupos tradicionais. “Reconhecemos a importância dos polos descentralizados, mas é fundamental priorizar quem sustenta historicamente o Carnaval de Olinda”, destacou a associação.

Procurada, a Prefeitura de Olinda afirmou, em nota, que todas as contratações seguiram critérios legais e edital público, com valores definidos a partir de parâmetros de mercado, custos operacionais e características de cada apresentação. A gestão também declarou que não há direcionamento político ou favorecimento e anunciou a realização de um seminário com representantes do frevo para discutir e reavaliar os parâmetros de cachês das agremiações tradicionais após o Carnaval.

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