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Cartilha indígena produzida com crianças valoriza saberes tradicionais em Alagoas

por | 22 mar, 2026

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Foto: Assessoria

A cartilha “Diálogos Intergeracionais Xukuru-Kariri: alfabetizando com plantas medicinais na Mata da Cafurna” é o primeiro material educacional elaborado com participação direta de crianças em Alagoas voltado à educação escolar indígena. O conteúdo foi desenvolvido para auxiliar educadores e integra ações de extensão do Grupo de Leitura em Estudos da Infância (GLEI), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

O projeto é coordenado pela professora Suzana Libardi, do curso de Psicologia da Unidade de Ensino Palmeira dos Índios, vinculada ao Campus Arapiraca. A iniciativa contou com a parceria da Associação Indígena do Grupo Wpyra Swpira, presidida por Koram Xukuru-Kariri, e apoio do Fundo Casa Socioambiental.

A cartilha reúne nove atividades práticas que estimulam a relação entre criança, território e natureza, além de promover o diálogo com os mais velhos da comunidade. “As atividades podem ser realizadas junto com crianças, indígenas ou não, dentro ou fora da escola. Afinal, território é um assunto para todas as infâncias”, destaca a coordenadora Suzana Libardi.

Segundo a professora, o material foi construído a partir de oficinas realizadas com alunos do segundo ano da Escola Estadual Indígena Mata da Cafurna. “Primeiramente, foram realizadas oficinas com crianças. A partir dos relatórios dessas atividades, universidade e comunidade sistematizaram as informações na cartilha, que relata a experiência vivida e traz um passo a passo de todas as atividades, facilmente replicáveis em outras escolas”, explica.

Foto: Assessoria

De acordo com a coordenadora, a iniciativa também contribui para a Política de Educação Escolar Indígena, especialmente no eixo que prevê a produção de materiais culturalmente adaptados. “Assim, o material também contribui com um dos eixos da Política de Educação Escolar Indígena, que é a produção de material culturalmente adaptado a essa modalidade escolar”, afirma.

Publicada em 2025, a cartilha foi lançada inicialmente na escola onde o projeto foi desenvolvido e, posteriormente, apresentada na Bienal do Livro de Alagoas 2025.

O Grupo de Leitura em Estudos da Infância (GLEI) atua há oito anos com pesquisa e extensão voltadas a crianças indígenas. Vinculado ao Laboratório de Pesquisa e Extensão em Psicologia Escolar Educacional do Semiárido Alagoano (Lapes), o grupo reúne estudantes de Psicologia da Unidade Palmeira dos Índios.

“Temos desenvolvido nossas ações em parceria com a sociedade civil, como a Associação Brasileira de Psicologia Social e Aldeias Indígenas do Estado de Alagoas [Abrapso – AL]”, informa Suzana Libardi.

A equipe do projeto também é formada por Anidayê Angelo Amorim, Annikele Monteiro da Silva Santos, Carlos Henrique da Silva Lim, Celenice Moraes de Souza, Debora Ranyelly Santos de Araújo, Ingrydy Lara Araujo Silva, Ranielli Oliveira Barbosa e Wendly Gama da Silva.

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