A menos de um mês do início da Copa do Mundo de 2026, pequenos empreendedores alagoanos já apostam no clima de torcida para impulsionar vendas, fortalecer marcas e criar experiências voltadas ao consumidor. Com foco em inovação, identidade visual e conexão emocional, empresas têm adaptado produtos e serviços para aproveitar o potencial comercial do torneio.
Apesar das transformações no comportamento da torcida ao longo dos anos, o jornalista esportivo Oscar de Melo avalia que a paixão do brasileiro pela seleção continua forte.
“Eu não acredito que o resultado negativo da semifinal da Copa do Mundo realizada aqui no Brasil tenha mudado o sentimento do torcedor brasileiro em relação à seleção. Nós já passamos por situações parecidas e, apesar disso, nos recuperamos”, afirmou.
É justamente nesse sentimento coletivo que muitos negócios enxergam oportunidade de crescimento. A empresa Biscoitos D’Lícia lançou embalagens temáticas inspiradas nas cores da bandeira do Brasil, mantendo a identidade da marca.
“A gente fez uma leve mudança para não descaracterizar o produto, mas usando as cores do Brasil, a bandeira e a logomarca. Foi uma mudança discreta e bem apropriada”, explicou o diretor da empresa, Alexandre Malta.

Assessoria
A reformulação foi realizada por meio do Sebraetec, programa do Sebrae Alagoas que subsidia consultorias especializadas para pequenos negócios. Segundo a empresa, em edições anteriores da Copa houve aumento de até 40% nas vendas.
A analista do Sebrae Alagoas, Cintia Silver, destaca que grandes eventos ajudam empresas a se reposicionarem no mercado.
“A Copa do Mundo estimula os empreendedores a inovarem e adaptarem seus produtos e serviços para aproveitar as oportunidades de aumento nas vendas. O Sebrae vem trabalhando esse incentivo desde o início do ano”, afirmou.
Ela ressalta que inovação não depende apenas de grandes investimentos.
“Muitos empreendedores têm boas ideias, mas acreditam que inovar é algo distante ou caro. O Sebraetec aproxima esse acesso e mostra que inovação também pode acontecer em pequenas mudanças”, pontuou.
Para a estrategista de encantamento Bel Alvi, empresas que desejam se destacar durante a Copa precisam ir além da decoração temática.
“A Copa do Mundo não é sobre futebol, é sobre pertencimento”, afirmou.
Segundo ela, o diferencial está na experiência criada para o consumidor. “Existe uma diferença importante entre vender durante a Copa e se tornar parte da memória que o cliente vai levar dela. A primeira gera faturamento imediato. A segunda gera conexão, lembrança e retorno”, destacou.
Foi observando esse comportamento afetivo que a empreendedora Marluce França desenvolveu produtos personalizados utilizando impressão 3D, como caixas para armazenamento de figurinhas repetidas do álbum da Copa e chaveiros temáticos.
“A cada edição, as pessoas voltam a viver aquela emoção de colecionar, trocar figurinhas e criar memórias em família”, contou.
Além das oportunidades comerciais, especialistas alertam para os cuidados com o uso de marcas oficiais da Copa do Mundo, protegidas pela FIFA. O uso de logotipos, mascotes e elementos oficiais depende de autorização.
Para Bel Alvi, isso não impede a criatividade dos pequenos negócios. “A emoção da Copa é livre. O sentimento de torcida, os encontros e a vibração coletiva podem, e devem, ser explorados de forma autêntica”, concluiu.







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