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Conceição Evaristo: “O Brasil se tornou um país menos cínico”

por | 18 out, 2025

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Foto: Joana Berwanger/Sul 21

A escritora Conceição Evaristo afirmou que o Brasil se tornou um país menos cínico, ressaltando avanços na luta antirracista e na valorização da literatura negra. Segundo ela, “há uma crescente conscientização sobre as questões raciais e sociais, e a literatura tem papel fundamental nesse processo”.

Evaristo destacou a importância de dar visibilidade às vozes negras, afirmando que “as narrativas negras ajudam a construir uma sociedade mais justa e inclusiva, mostrando histórias que antes eram silenciadas”.

Para a escritora, a literatura não é apenas arte, mas também resistência. “Escrever é um ato de afirmação da nossa identidade, e cada livro é uma forma de lutar contra a invisibilidade e o preconceito”, explicou.

Ela também apontou que, embora haja avanços, ainda existem desafios significativos. “Precisamos continuar combatendo o racismo estrutural e garantir que nossas histórias cheguem a todos os públicos”, disse.

Evaristo enfatizou que o reconhecimento da literatura negra nas escolas e universidades tem ampliado o acesso ao conhecimento e à reflexão crítica. “Quando jovens leem sobre nossas experiências, eles entendem melhor a complexidade da sociedade brasileira”, comentou.

Segundo a escritora, a representatividade é uma ferramenta poderosa. “Ver personagens negros em livros e na mídia transforma a percepção que a sociedade tem de nós e nos dá força para continuar”, afirmou.

Ela destacou ainda que a literatura negra contribui para a construção de uma memória histórica mais completa. “Contar nossas histórias é também preservar a memória de nossos ancestrais e resistir à invisibilidade”, explicou.

Evaristo reforçou a necessidade de políticas públicas que incentivem a produção e a circulação de obras de autores negros. “Sem apoio institucional, muitas vozes importantes permaneceriam desconhecidas”, lamentou.

A escritora também celebrou a ampliação de prêmios literários e eventos culturais que valorizam a produção negra. “São espaços onde nossa literatura pode ser apreciada e reconhecida, inspirando novas gerações”, disse.

Ela concluiu afirmando que a literatura negra vai além da escrita: “É um instrumento de transformação social, educação e luta por direitos. Cada história contada é uma vitória contra o silêncio e a desigualdade”.

A mensagem de Evaristo é clara: avançar na valorização da cultura negra é fundamental para um Brasil mais justo. “Não podemos nos acomodar. É preciso continuar escrevendo, lendo e ouvindo nossas histórias”, finalizou.

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