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Economista do Plano Real atribui desequilíbrio fiscal aos juros altos do Banco Central

por | nov 4, 2026 | Destaque, Geral | 0 Comentários

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O economista André Lara Resende, integrante da equipe que elaborou o Plano Real, atribui o desequilíbrio fiscal brasileiro principalmente aos juros elevados, e não aos gastos do governo. Em artigo que ganhou repercussão nos últimos dias, ele critica a política monetária do Banco Central (BC) e defende uma revisão das regras fiscais e monetárias do país.

“Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater”, escreveu o economista.

Lara Resende reconhece problemas na gestão dos recursos públicos, como o volume de emendas parlamentares, benefícios salariais no Judiciário e isenções tributárias. No entanto, argumenta que as despesas primárias — aquelas que não incluem o pagamento de juros da dívida — estão próximas do equilíbrio.

Para ele, o principal fator de pressão sobre as contas públicas é o custo do serviço da dívida. Segundo o artigo, os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão nos últimos 12 meses, o equivalente a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

O economista também contesta a justificativa do Banco Central para manter a taxa básica de juros elevada. A autoridade monetária sustenta que a Selic é necessária para controlar a inflação, ao reduzir o consumo, o crédito e o ritmo da atividade econômica.

Lara Resende, por outro lado, questiona a eficácia desse modelo e afirma que a relação entre desemprego e inflação não funciona de maneira tão direta quanto prevê a teoria econômica convencional.

Proposta de mudança

Como alternativa, o economista propõe um novo regime fiscal e monetário, com metas de inflação e de juros definidas conjuntamente para períodos de quatro a cinco anos.

A proposta prevê que o Banco Central mantenha a taxa básica em um intervalo entre a meta de inflação, atualmente em 3%, e o crescimento nominal potencial da economia. Ele também defende intervenções no mercado de câmbio para evitar desvalorizações mais intensas do real.

O debate ocorre em meio ao crescimento da dívida pública brasileira, que passou de 71,7% do PIB em 2022 para aproximadamente 82,9% em agosto de 2026. Enquanto parte do mercado financeiro defende cortes de despesas para conter esse avanço, Lara Resende sustenta que a redução dos juros é fundamental para estabilizar as contas públicas.

As críticas do economista confrontam a avaliação do Banco Central, que aponta a trajetória dos gastos públicos, o aquecimento da economia e as incertezas sobre a dívida como fatores que pressionam a inflação e justificam a manutenção de juros elevados.

Com Agência Brasil

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