O índice de endividamento das famílias em Maceió atingiu 80,1% em março, conforme levantamento da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pelo Instituto Fecomércio AL e CNC. O número representa um leve crescimento em relação a fevereiro (79,6%) e é o maior percentual registrado em 2025 até o momento.
A inadimplência também subiu, chegando a 39,2%, o que significa que quase quatro em cada dez famílias estão com contas em atraso. Em 12 meses, o crescimento foi de 43,1%. Apesar disso, o número de famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas, mesmo em atraso, caiu 3,8%, o que pode refletir melhorias no emprego e na renda.
A pesquisa aponta que metade das famílias endividadas se declararam “muito endividadas” ou “mais ou menos endividadas”, com destaque para o grupo de alta renda (acima de 10 salários-mínimos). Nessa faixa, o percentual de “muito endividados” dobrou de 2,4% para 4,9% em apenas um mês, refletindo o impacto da alta dos juros sobre o crédito.
Desde outubro de 2024, quando teve início um novo ciclo de aperto monetário, o volume de famílias de maior renda com dívidas cresceu 22%. Nesse mesmo período, as dívidas com imóveis e veículos aumentaram 160% e 250%, respectivamente.
Já entre as famílias com renda de até 10 salários-mínimos, o aumento foi mais contido: os “muito endividados” passaram de 18,1% para 18,4%. Ainda assim, a inadimplência mensal subiu 4%, totalizando 45,2% no comparativo anual.
O cartão de crédito permanece como principal fonte de endividamento (98% dos entrevistados). No entanto, há uma tendência de migração para alternativas como carnês, que registraram aumento de 65%, e outras formas de dívida, que cresceram 2.700%, indicando busca por linhas de crédito menos convencionais.
Segundo o economista Francisco Rosário, assessor do Instituto Fecomércio AL, “muitas famílias já atingiram o limite do crédito tradicional e estão buscando saídas informais ou parcelamentos por carnês”. Ele destaca ainda que programas de renegociação de dívidas ajudaram a reduzir em 7,5% o número de superendividados entre os consumidores de menor renda nos últimos 12 meses.
Apesar das pressões do crédito caro, os dados sugerem uma melhora gradual no cenário de solvência, puxada por avanços no mercado de trabalho e aumento da massa salarial.







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