segunda-feira, 06 julho 2026
Algumas nuvens
Maceió
25°C
Algumas nuvens
Algumas nuvens
Maceió
25°C
Algumas nuvens

IA da Meta chega à zona rural colombiana, mas atrapalha o aprendizado

por | 14 ago, 2025

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Reprodução

Na Escola de Ensino Médio Rural José Gregorio Salas, nas entranhas da zona rural da Colômbia, a chegada repentina da inteligência artificial embarcada nos aplicativos sociais mudou a rotina escolar — e não para melhor. Com a chegada dos bots da Meta em WhatsApp, Facebook e Instagram, muitos alunos passaram a recorrer à IA — apelidada de “Lucia” — para auxiliar nas tarefas de casa. Embora a ajuda tecnológica tenha gerado trabalhos com vocabulário sofisticado e argumentos eruditos, os docentes observaram um aumento preocupante na reprovação nos testes tradicionais.

A introdução dos bots da Meta ocorreu por volta de julho de 2024, quando a empresa incorporou chatbots nos aplicativos que circulam amplamente em toda a América Latina, inclusive em regiões com conexões instáveis ou dispositivos menos potentes. A adaptação dos sistemas da Meta para funcionar em condições técnicas adversas acelerou a penetração da IA até mesmo nas escolas mais remotas.

A professora de química María Intencipa relata que, em 2023, poucos alunos tinham contato com o ChatGPT — e nem sabiam que estava usando IA. Mas, depois da chegada da “Lucia”, até os deveres mais banais passaram por transformações: os textos ficaram mais elaborados, porém chegaram a apresentar conteúdos que nunca foram abordados em sala de aula ou livros didáticos.

No entanto, essa aparente genialidade nos trabalhos escritos não se refletiu no desempenho nos exames. As notas caíram — uma contradição que preocupa os educadores. “Apesar do ‘surto de genialidade’, mais crianças estavam sendo mais reprovadas nos testes”, afirmam os professores.

O problema escancara a dissociação entre produzir um texto polido com apoio de IA e efetivamente compreender e internalizar o conteúdo. A dependência da tecnologia, nessa lógica, compromete a capacidade de análise e o aprendizado autêntico.

A situação expõe outro risco: os métodos de ensino tradicionais podem perder eficácia. Quando os estudantes simplesmente “copiam o que aparece no chat”, sem capacidade de questionar ou reinterpretar o que reproduzem, o processo educativo se enfraquece.

Luisa Cárdenas, professora de ciências sociais em Quimbaya, observa que muitos alunos chegam ao final do ensino médio sem dominar leitura e escrita, apesar de terem produzido redações aparentemente sofisticadas com auxílio da IA.

A situação se agrava em um país onde a educação já enfrentava desafios profundos: apenas 54 de cada 100 alunos chegam ao fim do ensino médio, e somente 11 desses atingem níveis adequados em leitura crítica, matemática e ciências naturais, segundo dados do Observatório de Realidades Educativas da Universidade Icesi.

A reportagem da Agência Pública, com base em matéria da Rest of World — assinada por Laura Rodríguez Salamanca — alerta para o dilema presente em contextos educativos periféricos, onde a tecnologia pode tanto ampliar horizontes quanto acelerá-los em falso, sem promover a compreensão real.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *