O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ajuizou uma ação civil pública contra o influenciador Leonardo Marcondes, conhecido nas redes sociais como “Treinador Financeiro”, após a publicação de um vídeo em que defende que pessoas pobres não deveriam ter direito ao voto. A Promotoria pede que ele seja condenado ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos, além da remoção do conteúdo considerado discriminatório e da adoção de medidas para evitar novas publicações do mesmo teor.
A ação foi protocolada na última quinta-feira e tem como base um vídeo divulgado em 26 de dezembro de 2025 no Instagram, onde Marcondes reúne cerca de 1,3 milhão de seguidores. Na gravação, ele afirma que “toda decisão do pobre é equivocada” e questiona o direito ao voto dessa parcela da população.
“Você já parou para pensar que pobre não devia ter direito de votar? Uma pessoa que é pobre não soube tomar boas decisões para ter o melhor para sua família e para si mesma”, diz o influenciador. Em outro trecho, acrescenta que “se o poder de decisão de um país ficasse na mão dos ricos, até que o pobre ficasse rico, seria muito mais lógico”.
Além da retirada do vídeo, o Ministério Público solicita que todo o perfil do influenciador seja removido das redes sociais, que ele seja proibido de publicar novos conteúdos discriminatórios contra pessoas em situação de pobreza e participe de um curso voltado à inclusão social. O valor da indenização, caso a Justiça acolha o pedido, deverá ser destinado ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos.
Na ação, a Promotoria sustenta que as declarações reforçam estereótipos e associam a condição de pobreza à incapacidade de exercer direitos políticos, contribuindo para a exclusão de um grupo social vulnerável.
Segundo o promotor Ricardo Manuel Castro, responsável pelo caso, as manifestações caracterizam um episódio de aporofobia — termo utilizado para definir o preconceito ou aversão contra pessoas pobres. Para ele, o influenciador estabelece uma relação indevida entre a falta de recursos financeiros e a incapacidade de participar da vida democrática.
O Ministério Público também argumenta que a liberdade de expressão não protege discursos que promovam discriminação ou incentivem a intolerância contra grupos vulneráveis. Na avaliação da Promotoria, as declarações atentam contra princípios constitucionais como a igualdade, a dignidade da pessoa humana e o regime democrático.
Leonardo Marcondes se apresenta nas redes sociais como ex-atleta profissional e afirma estar “construindo uma Nação Rica de Verdade”. Até o momento, não havia informação sobre manifestação da defesa do influenciador a respeito da ação.






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