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ONU alerta: 4 milhões podem morrer de Aids até 2030 sem ações urgentes

por | 11 jul, 2025

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@reuters

Um novo relatório divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) acende um alerta global: cerca de 4 milhões de pessoas podem morrer em decorrência da Aids até 2030, caso os esforços de prevenção, tratamento e financiamento não sejam urgentemente ampliados. O documento, intitulado A Urgência do Agora: A Aids Frente a Uma Encruzilhada, aponta que o mundo está diante de uma escolha decisiva entre retomar o caminho do progresso ou sofrer um retrocesso devastador.

Segundo o relatório, divulgado nesta quarta-feira (10), em 2023 havia aproximadamente 39,9 milhões de pessoas vivendo com o HIV, das quais 9,3 milhões ainda não tinham acesso ao tratamento antirretroviral. A cada minuto, uma pessoa morre de causas relacionadas à Aids, o que resultou em 630 mil mortes apenas no ano passado. Apesar de representar uma queda de 52% em relação a 2010, quando os óbitos chegaram a 1,3 milhão, o número ainda está muito acima da meta global de reduzir as mortes para menos de 250 mil até 2025.

Outro dado alarmante é o número de novas infecções. Em 2023, foram registrados 1,3 milhão de novos casos de HIV no mundo — mais do que o triplo do objetivo estabelecido pelas Nações Unidas para o mesmo ano. Entre os principais entraves à redução desses índices estão o subfinanciamento da resposta global e a persistência de leis discriminatórias que dificultam o acesso de populações vulneráveis à prevenção e ao tratamento.

O relatório mostra que apenas 2,6% dos recursos destinados ao enfrentamento da epidemia são aplicados em ações voltadas às populações-chave, como profissionais do sexo, pessoas trans e usuários de drogas, que concentram 55% das novas infecções. Além disso, o financiamento global para o combate ao HIV caiu para US$ 19,8 bilhões em 2023, cerca de US$ 9,5 bilhões abaixo do necessário para atingir as metas até 2025.

A diretora-executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, destacou que é possível evitar milhões de mortes, mas apenas com vontade política, investimentos adequados e o respeito aos direitos humanos. “As lideranças mundiais prometeram acabar com a Aids como ameaça à saúde pública até 2030. Essa promessa ainda pode ser cumprida, mas é preciso agir agora”, afirmou.

O documento recomenda quatro medidas prioritárias: aumento do financiamento sustentável, eliminação de leis punitivas, fortalecimento das comunidades afetadas e adoção de estratégias baseadas na ciência. Segundo o UNAIDS, se essas ações forem implementadas de forma imediata, é possível não só evitar 4 milhões de mortes, mas também reduzir de forma significativa o número de novas infecções e alcançar a meta global de controle da epidemia.

O relatório conclui que o próximo quinquênio será decisivo. Sem mudanças estruturais e urgentes, o mundo corre o risco de ver um aumento no número de pessoas vivendo com HIV — de 29 milhões atualmente para 46 milhões até 2050. A janela de oportunidade ainda está aberta, mas está se fechando rapidamente.

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