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Parto normal é preferência no início da gestação, mas cesarianas seguem maioria no Brasil

por | 26 jun, 2026

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Embora sete em cada dez brasileiras afirmem preferir o parto normal no início da gravidez, a maioria dos nascimentos no país ainda ocorre por cesariana. Dados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam) 2025, do Ministério das Mulheres, mostram que, em 2023, 59,6% dos partos foram realizados por meio de cirurgia.

O cenário evidencia um contraste entre a preferência declarada pelas gestantes e a prática obstétrica no país. Levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que a maior parte das mulheres inicia a gestação optando pelo parto normal, mas o Brasil permanece entre os três países com maior taxa de cesarianas no mundo. A média global é de cerca de 21%, com predominância de partos vaginais na maioria dos países.

Diante desse contexto, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) recomenda o parto normal como opção prioritária nos casos de gestação de risco habitual. Segundo a organização, o procedimento contribui para uma recuperação mais rápida da mãe, favorece a amamentação e reduz intervenções cirúrgicas desnecessárias.

“O parto normal tem muitas vantagens, tanto para a gestante, para a mãe, quanto para o bebê. A recuperação materna é muito mais rápida, a mulher não passou por uma cirurgia, ela passou por um procedimento normal. Então, com isso, a recuperação é bem mais rápida e isso, muitas vezes, é um fator extremamente importante para mulheres que não possam ter uma rede de apoio muito grande e precisam rapidamente estar ali, inclusive, para o cuidado do seu bebê”, explica a chefe de Saúde e Nutrição do UNICEF no Brasil, Luciana Phebo.

Para ampliar o debate, o UNICEF lançou em junho a campanha “Parto normal. Uma escolha que merece respeito”, que busca incentivar decisões informadas e baseadas em evidências científicas e orientação profissional. A iniciativa é veiculada em diferentes plataformas, como TV, rádio, internet e mídias digitais.

Segundo a organização, a proposta é reforçar a autonomia da gestante e reduzir a influência de opiniões externas na decisão sobre o tipo de parto. “O que nós queremos alcançar é que partos normais, quando indicados, deve ser a preferência no Brasil. E nós queremos que isso aconteça a partir de uma maior autonomia da gestante. E que essa autonomia não seja interferida por opiniões, por mitos, por pressões sociais, por pressões institucionais”, afirma Luciana Phebo.

A campanha também aborda situações cotidianas de pressão e julgamento enfrentadas por gestantes, com foco na valorização da escuta e do respeito às escolhas informadas. As peças publicitárias incluem ainda recursos de acessibilidade, como intérprete de Libras.

De acordo com o UNICEF, o parto normal é seguro na maioria das gestações de risco habitual e está associado a benefícios como adaptação mais rápida do recém-nascido e recuperação mais ágil da mãe. A entidade ressalta, no entanto, que a cesariana é fundamental quando há indicação médica, sendo uma intervenção que pode salvar vidas.

O órgão também destaca que o parto pode ser acompanhado de analgesia, quando indicada, para aliviar a dor e contribuir para o conforto da gestante. Segundo especialistas, o preparo durante o pré-natal é essencial para reduzir inseguranças e garantir uma experiência mais segura e humanizada.

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