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Plano abre caminho para reintrodução do macuco na Mata Atlântica alagoana

por | 20 jul, 2026

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Depois de ajudar a tirar outras espécies ameaçadas do caminho da extinção, Alagoas dá mais um passo para recuperar a sua biodiversidade. O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) entregou à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) o Plano de Ação Estadual (PAE) do Macuco, documento que estabelece as estratégias para a conservação e futura reintrodução da ave nas matas alagoanas.

Construído de forma colaborativa por especialistas, pesquisadores e instituições parceiras, como o Instituto para Preservação da Mata Atlântica (IPMA), o plano passará agora pela homologação e publicação no Diário Oficial. A partir daí, servirá como base para a implementação de uma política pública voltada à recuperação da população do macuco (Tinamus solitarius), espécie ameaçada de extinção no estado.

A iniciativa integra o Programa de Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção e Refaunação (Pró-Espécies), desenvolvido pelo MPAL. Segundo o promotor de Justiça Alberto Fonseca, titular da 4ª Promotoria de Justiça da Capital, o programa já reúne planos de ação para espécies como o mutum-de-alagoas, o macaco-prego-galego, o papagaio-chauá e, mais recentemente, as tartarugas marinhas.

Para ele, a recuperação da fauna depende também da proteção dos ambientes naturais. “Essas iniciativas só são possíveis porque caminham junto com ações como o Pró-Reservas, que incentiva a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural e fortalece a preservação dos habitats”, destacou.

Assessoria

A promotora de Justiça Lavínia Fragoso, titular da 5ª Promotoria de Justiça da Capital, ressaltou que Alagoas tem se consolidado como referência nacional em políticas de conservação. Segundo ela, a combinação entre os planos de ação e a criação de unidades de conservação vem produzindo resultados reconhecidos por outros estados.

Ao receber o documento, o secretário da Semarh, Ygo Araújo, afirmou que a pasta dará celeridade ao processo de homologação e publicação do plano, além de apresentá-lo à Assembleia Legislativa. Para ele, a parceria entre os órgãos fortalece a implementação das políticas públicas ambientais.

Presidente do IPMA, Fernando Pinto lembrou que o sucesso obtido com o Plano de Ação do mutum-de-alagoas estimulou a criação de estratégias para outras espécies ameaçadas. Ele destacou que a educação ambiental e a atuação conjunta de instituições como o Instituto do Meio Ambiente (IMA), o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) e a Semarh são fundamentais para que os projetos avancem.

Hoje, os únicos registros do macuco vivendo em liberdade em Alagoas estão na Reserva de Murici. No passado, porém, a ave era comum nas florestas do estado. “Ninguém preserva aquilo que não conhece. O macuco é mais um desafio para todos nós. A Mata Atlântica alagoana abriga espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo, e cada fragmento de floresta preservado faz diferença”, afirmou Fernando Pinto.

Reprodução

O Plano de Ação aponta que a principal causa da redução da população do macuco é a perda de habitat. A Mata Atlântica já perdeu mais de 90% de sua cobertura vegetal original desde o período colonial, principalmente em razão da expansão urbana, da abertura de rodovias e da ocupação para atividades agropecuárias.

Além das medidas de conservação, o documento resgata a trajetória histórica da espécie. Há registros sobre o macuco desde o século XVI, em relatos do aventureiro alemão Hans Staden, passando pelas descrições do naturalista George Marcgrave, no século XVII, até sua classificação científica definitiva como Tinamus solitarius em 1819. Essa longa história reforça a importância de preservar uma ave que faz parte do patrimônio natural da Mata Atlântica e que, agora, poderá voltar a ocupar o espaço que perdeu nas florestas alagoanas.

Se a proposta for publicação em revista ou portal de notícias, esse texto ganha ritmo mais narrativo e uma abertura mais forte, sem perder o caráter informativo.

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