Por Moacir Rocha Santana Filho
A Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados e Assalariadas Rurais de Alagoas (Fetar-AL) realizou, na última quarta-feira, 2 de abril de 2025, no auditório do Senar, em Maceió, o segundo encontro estadual da categoria, reunindo delegados e suplentes de sindicatos rurais filiados de todo o estado.
O primeiro encontro aconteceu em 15 de março, na cidade de São Miguel dos Campos, reunindo representantes de 22 sindicatos rurais, com a presença do prefeito da cidade, George Clemente, dirigentes de sindicatos de outros estados como Sergipe e Pernambuco, e Gabriel Bezerra, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais (Contar).
Naquele momento, ocorreu uma importante discussão entre os delegados e suplentes sobre as propostas essenciais para a categoria e para o fortalecimento do movimento sindical rural, resultando na construção do “documento base”, além de oficinas temáticas: Programa Amigo Trabalhador; gestão e sustentabilidade sindical; organização e fortalecimento das entidades sindicais e terceira idade; realidade dos assalariados(as) rurais de Alagoas e a luta das mulheres trabalhadoras rurais; assalariamento rural, cultura da cana-de-açúcar e erradicação do trabalho infantil e escravo no campo. Sendo estas as pautas principais daquele encontro, conforme divulgação da Contar.
O presidente nacional da organização dos trabalhadores assalariados rurais, Gabriel Bezerra, fez a sua fala na análise da conjuntura em nível nacional, apontando os desafios enfrentados pela categoria. E a análise em nível estadual foi conduzida pelo professor Cícero Albuquerque.
Importante lembrar que a Fetar-AL, atualmente, está ocupando um lugar de destaque na diretoria nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais (Contar). Trata-se de Vera Lúcia Vasconcelos da Silva, secretária de mulheres da Fetar-AL, vice-presidente e secretária de formação e organização sindical da Contar. Vera Lúcia iniciou a sua trajetória no movimento sindical como vice-presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Paripueira, em 1998, e posteriormente ocupou cargos de secretária e tesoureira na Fetag-AL, mas com a divisão da organização sindical rural (1), participou da fundação da Fetar-AL, em 2017, atuando como conselheira fiscal.
Nesse novo encontro, o 2º Congresso Estadual de Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados e Assalariadas Rurais do Estado de Alagoas, ocorrido na última quarta-feira (2), verificou-se a aprovação do “documento base”, contendo as propostas discutidas no primeiro encontro e as novas diretrizes para o movimento sindical dos trabalhadores assalariados rurais.

Vera Lúcia, vice-presidente da Contar e secretária de mulheres da Fetar-AL, destaque, no 1º Encontro Estadual da Fetar-AL, 2025. Foto: Divulgação/Contar.
Após o congresso, realizou-se a eleição da mesa diretora da federação, sendo a chapa do atual presidente da Fetar-AL, Antônio Torres, “por um campo mais justo e mais humano”, reeleita para o próximo quadriênio. A diretoria executiva da instituição é composta pelo presidente, Antônio Torres, o vice-presidente, José Cláudio da Silva, o secretário de administração e finanças, Manoel Felizardo, o secretário geral, José Nilo de Melo, o secretário de formação e organização sindical, José Roberto Santos, e a secretária de mulheres, Vera Lúcia Vasconcelos da Silva.
O evento contou com a presença e fala do presidente da Central Única dos Trabalhadores de Alagoas (CUT-AL), Luciano Santos, que ressaltou a importância da federação e a grande dificuldade que organizações sindicais ainda encontram para conseguir pautar as suas discussões e demandas junto aos representantes do governo estadual.
Manoel Felizardo, secretário de administração e finanças, reeleito, ressaltou a continuação da luta e uma diretoria que representa de fato e de direito os trabalhadores rurais assalariados, também lembrou a recente criação do sindicato de Teotônio Vilela. Felizardo possui 47 anos de atuação no sindicalismo rural, sendo um dos sindicalistas mais conhecidos do estado, iniciou no movimento em 1978, no sindicato dos trabalhadores rurais de Novo Lino, como secretário, sendo o presidente Zé Bastos da Silva. Em 1981, toma posse como presidente do sindicato de Novo Lino, e nos anos seguintes passa a integrar a representação dos trabalhadores rurais em âmbito estadual, chegando ao cargo de vice-presidente da Fetag-AL, em 1984, junto com o presidente Luís Ormindo da Silva, atuando em comissões nacionais nos congressos da Contag. Em 2017, foi um dos fundadores da Fetar-AL, junto com Antônio Torres, então presidente do sindicato de Jequiá da Praia.

2º Congresso Estadual da Fetar-AL, 2025. Membros da diretoria executiva reeleita, e Luciano Santos, presidente da CUT-AL) – Foto: Moacir Rocha.
O presidente reeleito da Fetar-AL, Antônio Torres, lembrou a importância de um sindicato forte e com recursos, sobretudo nos momentos em que os trabalhadores precisam lutar, realizar greves ou atos por seus direitos e acordos coletivos. Torres refletiu o difícil momento vigente do sindicalismo rural alagoano e convocou os dirigentes sindicais presentes para um recomeço: “Se quiser permanecer no movimento [sindical rural], se quiser ver o movimento forte, tem que reiniciar tudo de novo que a gente já fez. Eu, o Manoel [Felizardo], o Amaro [presidente do sindicado de São Luís do Quitunde, e membro do conselho fiscal da Fetar-AL], e outros velhos que estão aqui, que já passaram por isso. Pois ficar só na sede, é coisa que viciou o movimento sindical, desde quando começaram a descontar dinheiro dos aposentados, com esse desconto ninguém mais quis ir ao campo”.
Antônio Torres também avaliou a necessidade de uma nova postura dos sindicalistas rurais alagoanos na atual conjuntura nacional, para além dos canaviais: “Nós estamos fracos e a alegação nossa é que ‘a gente não tem o trabalhador no campo’. Mas tem! A gente que está deixando de buscar, ele está pulando de um canto para outro e a gente está esquecendo daquele canto, está indo só no canto que a gente acostumou ir que é na usina. Tem gente trabalhando da mesma forma, fora da usina, a gente precisa buscar eles, se não, a gente também não se sustenta. E isso que eu estou dizendo a vocês não está só aqui em Alagoas, está em todos os estados da federação, […] mas é um trabalho que a gente tem que recomeçar”.
Nota:
(1) A divisão do movimento sindical rural atinge Alagoas em 2017, com os trabalhadores rurais alagoanos divididos entre Fetar-AL e Fetag-AL, esta representaria os trabalhadores rurais agricultores familiares. Mais informações em: SANTANA FILHO, Moacir Rocha. Crise do sindicalismo: a trajetória do sindicalismo rural em Alagoas e o novo papel dos sindicatos dos trabalhadores rurais. Dissertação (Mestrado em Dinâmicas Territoriais e Cultura), ProDic, Universidade Estadual de Alagoas, 2023.







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