Um estudo inédito revela que as 45 maiores empresas de carne e laticínios do mundo, incluindo gigantes brasileiras como JBS e Marfrig, emitiram coletivamente 1 bilhão de toneladas de gases do efeito estufa em 2023 — mais do que a Arábia Saudita, segundo maior produtor global de petróleo. As informações são da Agência Pública.
As cinco maiores emissoras — JBS, Marfrig, Tyson, Minerva e Cargill — foram responsáveis por 480 milhões de toneladas de CO₂, superando as emissões individuais de grandes petrolíferas como Chevron (454 milhões), Shell (429 milhões) e BP (366 milhões).
O metano, gás 28 vezes mais potente que o CO₂ em termos de aquecimento global, responde por mais de 51% das emissões dessas empresas. A maior parte desse metano é gerada pela digestão dos bovinos, principal fonte de proteína consumida globalmente.
“Diminuir as emissões de metano é uma das formas mais eficazes de desacelerar o aquecimento global rapidamente”, afirma Gabriel Quintana, do Imaflora. Ele sugere que o Brasil adote metas como melhorar a dieta animal, aprimorar o manejo de pastagens e expandir o abate precoce de bovinos, visando reduzir significativamente as emissões do setor.
O estudo foi realizado pela Profundo, organização de pesquisa sem fins lucrativos, e integra um relatório de quatro ONGs internacionais: Greenpeace, Foodrise, Friends of the Earth e Institute for Agriculture and Trade Policy.
O relatório foi divulgado às vésperas da COP30, conferência climática da ONU que ocorrerá em Belém, PA, reunindo representantes de quase 200 países para discutir ações contra a crise climática.
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