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Lobras: um sopro de modernidade em Maceió

por | 18 ago, 2024

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Reprodução

 

(*) Geraldo de Majella é historiador e jornalista 

Inicialmente conhecida pela população com o nome de Quatro e Quatrocentos, a Lojas Brasileiras chegou a Maceió em 1933. Na primeira década de sua existência, a rede de magazine esteve presente em dez capitais, e em algumas dessas praças com mais de uma loja.

Quando a filial de Maceió foi aberta a matriz era no Recife (PE) e as filiais estavam espalhadas em João Pessoa (PB), Natal (RN), Fortaleza (CE), São Luiz (MA), Belém (PA), Aracajú (SE), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).

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A rede era propriedade de Isaac Basbaum, imigrante judeu nascido em Kichinev, capital da Bessarábia, território que ora pertencia à Rússia czarista, ora à Romênia, atual Moldávia. O casal, Isaac e Clara, desembarcou no Recife no início da primeira década do século XX, onde formou uma família de onze filhos, todos brasileiros e recifenses.

O historiador Leôncio Basbaum (1907-1969) é o sexto filho do casal. Médico por formação, militante comunista. Na década de 30, fugindo da perseguição da ditadura varguista no Rio de Janeiro, retornou ao Recife. O pai e os irmãos o enviam a Maceió para assumir a gerência da mais nova loja da rede que estava para ser aberta.

Leôncio Basbaum. Reprodução

Em Maceió, morando no bairro da Levada, com a mulher e um filho, passa a se dedicar ao trabalho na loja e à medicina três tardes por semana, onde receitava medicamentos homeopáticos. Escreveu artigos sobre homeopatia no Jornal de Alagoas e, sem esperar, foi arrastado para uma polêmica com o médico Sebastião da Hora que não admitia a homeopatia como método terapêutico.

Essa loja foi um sopro de modernidade no comércio de Maceió. E se tornou uma referência não só na capital, mas em todo estado de Alagoas. As Lojas Brasileiras, em sete décadas, passaram a ser conhecida de maneiras diferentes. Talvez por decisão do departamento de marketing, a Loja Brasileiras se popularizou como Quatro e Quatrocentos e nas últimas décadas como Lobras.

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Outras lojas tradicionais, a exemplo da Radiante, Renner, Singer, Casa Neno, Casa Normande, a Farmácia Globo e o inesquecível Cine São Luiz, todos esses estabelecimentos localizavam-se num trecho da Rua do Comércio, a mais importante e conhecida da região central. Tornaram-se também referências na memória da cidade e dos seus habitantes.

A rede encerrou a operação em 1999, em meio a uma dívida de R$ 100 milhões. A marca acabou sendo absorvida pela Marisa.

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