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MP investiga suposto esquema de R$ 10 milhões em cirurgias ortopédicas em Alagoas

por | 27 mar, 2026

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Foto: Assessoria

O Ministério Público do Estado de Alagoas deflagrou, nesta sexta-feira (27), a Operação Leito de Procusto para investigar um suposto esquema criminoso envolvendo cirurgias ortopédicas custeadas pelo Estado por meio de decisões judiciais. A apuração aponta indícios de superfaturamento de cerca de R$ 10 milhões, com possível participação de advogados, profissionais da saúde e empresas fornecedoras.

A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, que cumpre três mandados de busca e apreensão em unidades hospitalares nas partes alta e baixa de Maceió. O objetivo é recolher documentos, prontuários e registros administrativos de procedimentos realizados desde 2023.

Foto: Assessoria

As investigações começaram há cerca de um ano, após provocação da Procuradoria-Geral do Estado de Alagoas, que identificou aumento considerado atípico nos custos de ações judiciais para realização de cirurgias ortopédicas. Desde então, o MP passou a analisar a regularidade dos procedimentos, dos valores cobrados e dos materiais utilizados.

Cerca de 50 prontuários estão sob análise, envolvendo principalmente cirurgias de tornozelo, joelho e coluna, com fornecimento de órteses, próteses e insumos cirúrgicos pagos com recursos públicos.

Segundo as apurações, o esquema teria atuação inicial de advogados, que identificavam pacientes e ingressavam com ações judiciais para garantir o custeio das cirurgias pelo Estado. Após decisões favoráveis, os procedimentos eram realizados, mas com indícios de valores inflados, especialmente nos custos de materiais, que estariam acima dos praticados no mercado.

Foto: Assessoria

Depoimentos colhidos pelo GAECO apontam que alguns pacientes confirmaram as cirurgias, enquanto outros relataram resultados insatisfatórios, incluindo sequelas e ausência de retratamento. Os relatos ampliam a gravidade do caso, que envolve não apenas possível prejuízo aos cofres públicos, mas também impactos diretos à saúde.

As investigações indicam que o esquema pode ter atuado por pelo menos três anos, com possível envolvimento de uma rede articulada entre profissionais da saúde, hospitais e empresas.

“O Ministério Público reforça que as medidas adotadas nesta fase têm caráter investigativo e que a apuração seguirá de forma rigorosa, com o objetivo de identificar todos os envolvidos e assegurar a correta aplicação dos recursos públicos”, afirmou Napoleão Amaral.

“Outras frentes investigativas também estão em andamento, diante da possibilidade de existência de novos núcleos envolvidos”, acrescentou o promotor Jorge Bezerra.

O nome da operação faz referência ao personagem da mitologia grega Procusto, simbolizando, segundo o MP, a distorção de atendimentos médicos para atender a interesses econômicos, em prejuízo dos pacientes.

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