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Por Mychelle Maia, da Agência Tatu
Impulsionado pela promessa de maior eficácia na perda de peso, o Mounjaro se tornou o novo objeto de desejo da população que procura por emagrecimento rápido. A Agência Tatu analisou dados do último ano do Google Trends sobre o interesse ao longo do tempo pelo termo “Mounjaro” na comparação com “Ozempic”, que foi o primeiro medicamento do tipo a chamar a atenção do mercado brasileiro.
Em abril de 2025 as buscas por “Mounjaro” passaram a superar as buscas por “Ozempic”, isso ocorreu no mesmo período em que o Mounjaro foi lançado no mercado brasileiro com promessas de maior eficácia que seus concorrentes.
A alta demanda, porém, abriu espaço para falsificações e contrabando, acendendo alerta entre médicos, autoridades sanitárias e da própria fabricante. Em carta aberta, o laboratório Eli Lilly, único autorizado a produzir a tirzepatida no Brasil, alerta que o uso de versões não originais do medicamento pode colocar a saúde em risco.

288 ampolas supostamente contendo tizerpatida apreendidas em janeiro de 2026 pela Receita Federal em Fortaleza (Foto: Receita Federal)
“Quaisquer produtos comercializados simplesmente como tirzepatida não foram fabricados, estudados ou comercializados pela Lilly, e, portanto, não são aprovados pela Anvisa ou qualquer outra agência regulatória internacional”, informa o documento publicado pelo laboratório.
Mounjaro falsificado
Apesar dos riscos, diversas apreensões da substância têm sido realizadas nos últimos meses. Na última quarta-feira (25), a polícia desarticulou um grupo que produzia diversos tipos de drogas em um laboratório clandestino na cidade de Maceió-AL. Entre as apreensões foram encontradas ampolas com rótulos do medicamento Mounjaro.
É importante notar que as instruções de uso do produto mostram que a substância aprovada no Brasil é vendida exclusivamente na forma de canetas aplicadoras de uso único, não existindo registro para produtos vendidos em ampolas, como os apreendidos.
Para a médica Kennya Medeiros, pós-graduada em Nutrologia e especialista em emagrecimento, a fabricação e venda clandestina desses produtos representam um risco grave à saúde pública, podendo conter dosagens incorretas, substâncias diferentes das descritas e até contaminação por bactérias.

Kennya Medeiros (Arquivo Pessoal
“Os riscos incluem pancreatite, hipoglicemia, desidratação, infecções, reações adversas imprevisíveis e descompensações metabólicas. Além disso, o uso sem acompanhamento médico pode levar à perda excessiva de massa muscular, deficiências nutricionais e reganho de peso posterior”, alerta.
Kennya Medeiros explica que o mecanismo de ação do Mounjaro pode gerar um efeito metabólico mais intenso do que o Ozempic, mas destaca que a escolha depende do perfil metabólico, do fenótipo de obesidade, da presença de comorbidades e da tolerância individual de cada paciente.
A especialista reforça que a obesidade é uma doença crônica e exige tratamento médico estruturado. “O mais importante é compreender que emagrecimento sustentável não acontece com soluções rápidas, mas com estratégia, constância e acompanhamento profissional”, conclui.




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