A influenciadora digital Virginia Fonseca, uma das personalidades mais seguidas do Brasil, com mais de 50 milhões de seguidores no Instagram, prestou depoimento na terça-feira (13) à CPI das Bets, que apura os impactos sociais e econômicos das plataformas de apostas online no país. Em foco, o papel de influenciadores no estímulo a um mercado bilionário que lucra diretamente com a perda do público.
Reportagem da revista Piauí revelou, em janeiro, que Virginia firmou contrato com a Esportes da Sorte em dezembro de 2022, com um modelo de remuneração no mínimo controverso: ela ganhava 30% de tudo o que os apostadores perdiam após acessarem a plataforma por meio de seus links promocionais. Na prática, quanto mais seus seguidores perdiam, mais ela lucrava.
O contrato previa ainda um adiantamento de R$ 50 milhões. O primeiro anúncio foi ao ar em janeiro de 2023: em um story, Virginia apareceu fazendo uma aposta — o resultado foi imediato. Cerca de 120 mil novos usuários ingressaram na plataforma. Tempos depois, a influenciadora migrou para outra empresa, a Blaze, com um contrato anual estimado em R$ 29 milhões.
O modelo escancara uma lógica perversa: celebridades digitais com enorme poder de influência sendo recompensadas por engajar pessoas em atividades de alto risco, com potencial para causar endividamento, compulsão e desestruturação familiar. E mais grave — sem transparência e, até recentemente, sem regulação.
A CPI investiga não apenas os danos causados por esse tipo de publicidade, mas também possíveis vínculos das casas de aposta com organizações criminosas e lavagem de dinheiro. O depoimento de Virginia reacendeu o debate sobre os limites éticos da influência digital e a necessidade de responsabilização de quem lucra promovendo apostas a públicos muitas vezes jovens e desinformados.
“É um modelo que transforma seguidores em alvos, e a derrota deles em receita para quem os influencia”, apontou um dos parlamentares da comissão.
Com o avanço das investigações, cresce a pressão por medidas mais duras de regulação — inclusive sobre o conteúdo veiculado nas redes sociais. A CPI quer impedir que a popularidade digital continue sendo usada como moeda de troca para alimentar um sistema de lucro baseado na perda alheia.







0 comentários