Por Dilson Ferreira*
A expansão urbana em Maceió, especialmente no litoral norte, desperta preocupações sobre a sustentabilidade desse crescimento. As áreas de preservação, fundamentais para o equilíbrio ambiental da cidade, enfrentam desafios à medida que novas demandas surgem. No entanto, essa situação pode ser encarada como uma oportunidade de reavaliar e redirecionar o desenvolvimento para modelos mais sustentáveis e integrados com a preservação do meio ambiente.
O litoral norte, uma região de grande valor ecológico, está em risco. A ocupação das restingas, dos topos de morro e das áreas protegidas, como o Rio Pratagy e seu sistema hidrológico, exige que repensemos estratégias de crescimento. Há um caminho para aliar o desenvolvimento à proteção dos recursos naturais. Com uma abordagem técnica e o respeito às leis ambientais, é possível planejar o uso sustentável desse território, preservando seus estoques de água e a integridade de sua paisagem.
Maceió possui alternativas concretas que podem ser melhor aproveitadas. O centro da cidade, por exemplo, dispõe de um significativo estoque de imóveis e terrenos subutilizados, prontos para revitalização. Regiões como a orla da Lagoa Mundaú, Jaraguá, Trapiche, Prado e outros bairros oferecem grande potencial para novos empreendimentos, integrando o crescimento econômico com a recuperação de áreas urbanas já estruturadas. Essas opções permitem que o mercado imobiliário se expanda sem comprometer áreas ecologicamente sensíveis.
Além disso, a expansão para a região norte, na área do Tabuleiro, surge como uma solução viável. Esta área, já impactada pela agricultura, pode ser aproveitada para novos projetos com menores impactos ambientais, criando um modelo de crescimento mais ordenado e planejado. Com o envolvimento de órgãos como a Semurb, Iplan, Seminfra, Semarh e IMA, podemos garantir um desenvolvimento sustentável, que respeite tanto o meio ambiente quanto as necessidades urbanas da cidade.
O Instituto de Planejamento de Maceió (Iplan) desempenha um papel importante nesse processo. Uma análise técnica e estratégica do litoral norte é fundamental para orientar o desenvolvimento urbano de forma responsável, garantindo que as decisões sejam pautadas por estudos científicos e embasadas na preservação ambiental.
Para garantir um futuro equilibrado, é crucial que o Instituto do Meio Ambiente (IMA) e as secretarias municipais de urbanismo de Maceió, assim como dos municípios vizinhos, fortaleçam suas ações em prol de uma expansão consciente. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo também pode contribuir, orientando os profissionais do setor a seguir práticas que respeitem as normas de preservação, especialmente em áreas sensíveis.
O crescimento imobiliário é, sem dúvida, importante para o desenvolvimento de Maceió, mas deve ser realizado de maneira planejada, priorizando a preservação ambiental e a qualidade de vida dos cidadãos. A cidade tem a chance de se tornar uma referência em turismo ecológico, aproveitando suas belezas naturais sem comprometer seus recursos.
O momento pede uma visão propositiva e responsável, onde o desenvolvimento se alinhe com a sustentabilidade, garantindo um futuro próspero e preservado para Maceió.
*É arquiteto, urbanista e professor da Ufal







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