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Likes e o caos: a distância entre a Maceió das redes e das salas de aula

por | 14 ago, 2025

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Reprodução

Em Maceió, a educação infantil vive uma crise silenciosa que contrasta com o cenário falso exibido pelo prefeito JHC em suas redes sociais. Enquanto vídeos com drones, legendas otimistas e músicas motivacionais retratam uma capital moderna e vibrante, a realidade enfrentada por milhares de famílias é dura, desigual e desumana.

Segundo o Panorama do Acesso à Educação Infantil no Brasil — divulgado pelo Todos Pela Educação —, apenas 9,7% das crianças de 0 a 1 ano têm acesso à educação infantil. Entre as de 2 e 3 anos, a taxa chega a 56,3%, mas no total, só 36,6% das crianças de 0 a 3 anos estão matriculadas. E mais: 18,9% dessa população enfrenta dificuldades de acesso a uma vaga — um índice pior que o registrado nos demais municípios alagoanos.

Essa exclusão tem rosto, nome e rotina: são mães que precisam escolher entre trabalhar ou cuidar dos filhos porque não há creches próximas ou vagas disponíveis. São famílias que dependem de transporte escolar precário, quando ele existe. São crianças que estudam em escolas sem climatização — um detalhe que, no calor de Maceió, faz diferença entre aprender e apenas resistir — e que muitas vezes não têm acesso nem a água potável de qualidade.

A situação atinge também quem trabalha para manter o sistema de pé: professores e trabalhadores da educação relatam sobrecarga, falta de valorização, más condições de trabalho e ausência de apoio pedagógico. É um ciclo cruel que compromete tanto a aprendizagem quanto a dignidade de quem ensina.

O contraste se torna ainda mais revoltante quando se sabe que a prefeitura tem R$ 5 bilhões em caixa — recursos que poderiam ser investidos na construção e reforma de creches, na melhoria da infraestrutura escolar, na ampliação do transporte, na valorização dos profissionais e no fornecimento de serviços básicos como água potável e climatização.

Mas, nas redes sociais, Maceió aparece como uma cidade-modelo, onde tudo funciona, e a educação é mostrada como vitrine de sucesso. Essa “Maceió instagramável” ignora as filas por vagas, as mães que acordam antes do sol para tentar matricular os filhos, as salas superlotadas e as escolas sucateadas.

O que se vê fora das câmeras é uma capital onde o direito constitucional à educação infantil é um luxo para muitos, e onde o poder público parece mais preocupado em gerenciar a própria imagem do que enfrentar, de fato, a realidade cruel e bárbara que marca a vida de milhares de crianças e educadores.

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