O Programa Renasce Salgadinho, lançado pela Prefeitura de Maceió em 2021, com orçamento inicial de cerca de R$ 76 milhões, custou R$ 182 milhões, um acréscimo de R$ 106 milhões, equivalente a cerca de 140% acima da previsão inicial. A obra, uma das principais da gestão, passou a ser contestada pelos problemas de manutenção do canal e pelo risco de novo assoreamento do riacho.
A estrutura implantada no projeto resultou em uma operação de manutenção lenta, cara e predominantemente manual. O leito do Salgadinho foi concretado, mas não suporta o peso de máquinas de grande porte, como retroescavadeiras, o que limita a retirada dos sedimentos acumulados.
Segundo avaliação técnica ouvida pelo 082 Notícias, o projeto também não teria previsto adequadamente acessos para entrada de máquinas em operações de limpeza ou em situações de emergência, criando dificuldades para a manutenção permanente do riacho.
Com a restrição dos equipamentos, a limpeza depende de uma mini escavadeira e do trabalho manual dos funcionários. O equipamento consegue apenas concentrar parte dos sedimentos, enquanto trabalhadores precisam recolher resíduos plásticos e outros materiais acumulados no canal. O material retirado é colocado em sacos e içado para fora do riacho, tornando o serviço mais demorado e oneroso.
Outro problema apontado são os guarda-corpos de vidro instalados ao longo da área revitalizada. A estrutura dificulta o acesso dos equipamentos e já apresenta danos e pontos quebrados.
Durante a limpeza, trabalhadores permanecem dentro do riacho, em contato direto com lama, poluição e esgoto. Fotografias feitas durante a execução do serviço registram funcionários sem equipamentos de proteção individual aparentes, levantando questionamentos sobre as condições de segurança da atividade.
A crítica central é que o projeto não teria considerado de forma adequada a etapa mais importante após a obra: a manutenção contínua. Com o acúmulo de sedimentos, o riacho tende a ficar mais raso, reduzindo sua capacidade de vazão. Em períodos de chuvas intensas, o volume de lama carregado pela bacia pode aumentar o risco de transbordamento.
O Renasce Salgadinho expõe uma falha de planejamento na etapa de manutenção do riacho: uma obra de alto custo que implantou uma estrutura dependente de limpeza contínua, mas que limita o acesso dos equipamentos necessários para executar esse serviço.









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