Em um gesto considerado inédito e grave por diplomatas e juristas, Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, afirmou que as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros só serão suspensas caso o Brasil “derrube o processo” contra Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe. A declaração explicitamente condiciona decisões de política comercial dos EUA a interferências no Judiciário brasileiro, o que acendeu alertas no governo Lula e entre juristas.
“Derrubem o processo contra Bolsonaro, derrubamos as tarifas”, afirmou Bannon, à jornalista Mariana Sanches, do UOL.
A declaração escancara o uso da economia como instrumento de pressão política internacional por aliados de Trump e lança dúvidas sobre a real motivação por trás das sanções impostas aos produtos brasileiros.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reafirmado que o caso Bolsonaro é uma questão exclusivamente judicial e não será tratado como moeda de troca diplomática.
“O Brasil tem instituições independentes. Nenhuma chantagem mudará isso”, disse um assessor da Presidência.
Juristas consultados por veículos da imprensa avaliam que a fala de Bannon viola princípios básicos do direito internacional, ao sugerir que o Poder Judiciário brasileiro seja manipulado em troca de alívio econômico. A situação evidencia uma tentativa de ingerência externa nas instituições nacionais.
Enquanto a pressão cresce, empresários e produtores rurais — especialmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás — sentem os impactos da medida norte-americana. Com a fala de Bannon, o pano de fundo ideológico que move a tarifa fica ainda mais evidente: não se trata apenas de comércio, mas de política bruta.





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