Em uma votação considerada histórica, a Câmara de Vereadores de Craíbas rejeitou, na quinta-feira (2), o projeto de suplementação orçamentária de R$ 2,3 milhões solicitado pelo Poder Executivo. O resultado, que pegou de surpresa parte da população e da classe política local, marca uma virada no cenário político do município e evidencia a nova postura de independência do Legislativo.
O projeto previa o uso dos recursos da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) para a conclusão das obras do Polo Industrial de Craíbas e para outros remanejamentos. Contudo, o empreendimento, iniciado há vários anos, já consumiu mais de R$ 9 milhões em investimentos públicos e continua sem conclusão — situação que despertou críticas e desconfiança entre os parlamentares.
Durante a discussão em plenário, vereadores argumentaram que os recursos da CFEM devem ser aplicados em ações que beneficiem diretamente as comunidades afetadas pela mineração, como melhorias em infraestrutura, saúde, educação e preservação ambiental — e não em obras de retorno duvidoso.
“O dinheiro da mineração precisa chegar ao povo, não pode continuar sendo despejado em obras que nunca terminam”, afirmou o vereador Nando Rosendo, um dos que se posicionaram contra a proposta.
A rejeição foi aprovada pela maioria:
Contra a suplementação: Nando Rosendo, Zé Marcos, Beba Cândido, Valdinho Mantega, Zé do Laercio, Marcio César, Edival Ferreira, Sônia do Tata e Henrique do Nego Tonho.
A favor: Carlinho Folha e Wharley da Gelva.
Com esse resultado, a Câmara mostrou que o Executivo não possui maioria consolidada no Legislativo, o que representa um novo momento político em Craíbas, com maior equilíbrio entre os poderes e fortalecimento da função fiscalizadora dos vereadores.
A decisão deve ter desdobramentos nas próximas semanas, já que o impasse orçamentário pode afetar cronogramas de obras e a execução de projetos municipais. Enquanto isso, a população acompanha com expectativa os próximos capítulos de um embate que promete redefinir o jogo político no município.






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