O pastor Silas Malafaia, conhecido por suas pregações político-religiosas e por sua atuação como ativista de extrema-direita, foi alvo nesta semana de uma ação da Polícia Federal, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O religioso teve o passaporte retido e o telefone celular apreendido como parte de uma investigação sobre supostas tentativas de obstrução de justiça relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília.
Áudios obtidos pela Polícia Federal revelam que Silas Malafaia orientou Jair Bolsonaro a vincular a aprovação de uma anistia ampla aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro à suspensão de tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Em conversa interceptada, Malafaia sugeriu que Bolsonaro pressionasse o Supremo Tribunal Federal (STF) com a ameaça de sanções contra ministros e suas famílias, caso a anistia não fosse aprovada. Ele afirmou: “É só resolver a questão da anistia que o problema está resolvido”, indicando que o pastor atuava como articulador político, buscando influenciar decisões judiciais em favor de aliados bolsonaristas
Malafaia mantém representação política ativa na Câmara Federal, com aliados como o deputado Sostenes Cavalcante, considerado seu seguidor. O confisco do passaporte impede o pastor de viagens internacionais, incluindo compromissos religiosos nos Estados Unidos e na República Dominicana, enquanto a apreensão do telefone celular limita sua comunicação direta com aliados e seguidores.
Em declarações públicas, Malafaia criticou duramente a operação da Polícia Federal, afirmando que as medidas são injustas e reafirmando seu papel como líder religioso. Especialistas em direito e segurança pública, no entanto, destacam que a ação segue protocolos judiciais, com o objetivo de garantir a integridade das investigações e a responsabilização dos envolvidos.
O caso evidencia a atenção do STF e da Polícia Federal sobre o envolvimento de líderes religiosos e políticos de extrema-direita na tentativa de golpe, reforçando o cerco sobre aliados de Bolsonaro e demais grupos acusados de obstruir a justiça.





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