Uma comissão da Câmara dos Deputados encaminhou um ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando investigação criminal e a prisão preventiva do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).
A medida é motivada pela Operação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em mais de 120 mortos, entre eles quatro policiais, em confrontos com integrantes do Comando Vermelho.
O documento, assinado pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, deputado Reimont (PT-RJ), e por outros oito parlamentares, aponta indícios de que a ação policial “extrapolou os limites da legalidade, proporcionalidade e respeito aos direitos humanos”.
No ofício, os deputados destacam denúncias de execuções sumárias e de vítimas mortas “com facadas e tiros pelas costas”, sugerindo que o episódio pode configurar crimes graves cometidos durante a operação.
Segundo Reimont, “a magnitude dos fatos e o risco de reiteração de novas chacinas exigem resposta imediata das instituições democráticas”. Ele reforça que a ação precisa ser apurada com rigor, para garantir que não se repitam situações de violência extrema contra a população civil e que haja responsabilização por eventuais abusos cometidos por agentes públicos.
Além do pedido de prisão preventiva, os deputados solicitam a instauração de uma perícia técnica independente, a análise detalhada das armas apreendidas e a criação de um mecanismo de acompanhamento das vítimas da operação. O objetivo é esclarecer completamente as circunstâncias das mortes e garantir transparência nos procedimentos de segurança do estado.
Cláudio Castro, por sua vez, rebateu as acusações, afirmando que “as únicas vítimas foram os policiais” e classificou a operação como um “sucesso”. O governador mantém a versão de que a ação policial foi necessária para desarticular núcleos da facção criminosa e que ocorreu dentro dos protocolos de combate ao crime organizado.
O episódio e a reação dos parlamentares acendem um debate intenso sobre os limites da força policial, direitos humanos e a responsabilidade de governantes em operações de grande letalidade, colocando a gestão estadual sob forte escrutínio nacional.








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