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É preciso estarmos atentos: extrema-direita está ferida, mas, ainda rosna

por | 10 out, 2023

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Foto: Evaristo Sá/AFP

Lula foi eleito presidente da República, em 2022, pela terceira vez, com o apoio de uma Frente Democrática. A derrota eleitoral imposta à extrema-direita, no entanto, não resultou no isolamento político-ideológico dos extremistas. As eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal de bancadas extremistas e de aliados é um sinal que preocupa os democratas e as instituições da República.

O enfrentamento ao fascismo ou a qualquer forma de extremismo político é um desafio complexo.

O ponto de partida é a educação, não apenas a formal, mas a educação política da militância e das massas, a promoção de debates públicos, mobilização e fortalecimento das instituições democráticas e o engajamento dos mais amplos setores sociais e das mídias para, unidos, enfrentar o monstro que é a extrema-direita em todas as suas concepções

Em Alagoas, a Frente Democrática sagrou-se vitoriosa eleitoralmente. O Bolsonarismo perdeu as eleições majoritárias, com Jair Bolsonaro (PL), Fernando Collor (PTB) e Rodrigo Cunha (UB). É um fato relevante, mas não é para relaxar com os louros da vitória.

A vitória eleitoral de candidatos de extrema-direita para deputado estadual e federal mantém a agenda do discurso de ódio – base ideológica do extremismo – com repercussão na sociedade.

As vozes do extremismo reverberam com os deputados Cabo Bebeto (PL), Fábio Costa (PP) e Alfredo Gaspar (UB) e, em Maceió, com o vereador Leonardo Dias (PL).

O governador Paulo Dantas (MDB), vitorioso nas eleições, tem sido o alvo preferencial dos deputados Fábio Costa e Alfredo Gaspar que afirmam haver “descontrole na Segurança Pública”. A resposta do governo tem sido tímida, mesmo assim, um artigo assinado pelo líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Sílvio Camelo (PV), repercutiu na mídia e, logo, o deputado Fábio Costa reagiu em suas redes sociais o contra-ataque desferido pelo governo.

Paulo Dantas, Ronaldo Lessa (PDT), Renan Calheiros (MDB), Renan Filho (MDB) e Paulão (PT) não podem se descuidar na batalha ideológica contra os extremistas. Essa batalha não está circunscrita apenas à esquerda, é de todos, pois a extrema-direita é o inimigo declarado do Estado Democrático de Direito.

O que antecede a derrota eleitoral para a extrema-direita será a derrota ideológica, mas, para que isso aconteça, é preciso saber se esses atores políticos que estão situados no campo democrático desejam lutar de fato. A reação pontual não é enfrentamento efetivo, é um espasmo, apenas.

Sem um sinal concreto de mobilização e convencimento muito pouco vai acontecer, pelo fato de que o sentimento de acomodação tem imperado, enquanto os extremistas atuam full time contra a democracia.

A extrema-direita não pode agir sem que seja contestada e enfrentada para que amanhã os democratas não se arrependam.

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