A jornalista, escritora e ativista dos direitos humanos Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, morreu nessa terça-feira (15), aos 81 anos. Ex-presa política, ela se tornou uma das principais referências da luta contra a ditadura militar e pela defesa dos direitos das mulheres no Brasil.
O velório será realizado nesta quarta-feira (16), das 11h às 16h, na reitoria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na capital paulista.
Nascida em Contagem (MG), Amelinha iniciou a militância política ainda jovem e participou da resistência clandestina ao regime militar pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Em 28 de dezembro de 1972, foi presa em São Paulo e levada para a Operação Bandeirantes (Oban) e o DOI-Codi, onde sofreu torturas físicas e violência sexual.
Na mesma ocasião, seus filhos, Edson e Janaína, então com quatro e cinco anos, também foram levados ao centro de repressão e obrigados a presenciar a tortura dos pais.
Depois da prisão, Amelinha dedicou-se à defesa da democracia, à preservação da memória de mortos e desaparecidos políticos e à organização do movimento feminista.
Em 1984, participou da fundação da União de Mulheres de São Paulo e, durante a Assembleia Nacional Constituinte, integrou o chamado Lobby do Batom, movimento que atuou pela inclusão da igualdade de direitos entre homens e mulheres na Constituição de 1988.
Em 1994, criou o projeto Promotoras Legais Populares (PLPs), voltado à formação de mulheres comunitárias em conhecimentos jurídicos e posteriormente expandido para diferentes regiões do país.
A família Teles também buscou responsabilizar judicialmente o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, apontado como responsável por parte das torturas sofridas durante a ditadura. Em 2008, a Justiça reconheceu Ustra como torturador em uma ação declaratória movida pela família.
Amelinha ainda atuou na Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” e integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.
A morte da ativista provocou manifestações de pesar de autoridades, parlamentares e movimentos sociais. Entre os homenageados estão os ministros Guilherme Boulos e José Guimarães, além das deputadas Erika Hilton, Sâmia Bomfim e Natália Bonavides e do deputado Paulo Teixeira.
Organizações como MST, UNE e Levante Popular da Juventude também destacaram a trajetória de Amelinha na defesa dos direitos humanos, da democracia e dos direitos das mulheres.





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