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Papa Leão 14 diz que extrema direita não representa valores autênticos do cristianismo

por | 29 set, 2026

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O papa Leão 14 afirmou nesta segunda-feira (28) que a associação entre posições de extrema direita e determinadas manifestações religiosas na Alemanha não corresponde ao que considera uma expressão autêntica do cristianismo. A declaração foi dada durante a viagem de retorno ao Vaticano, após uma visita oficial de quatro dias à França.

O pontífice foi questionado sobre a redução do número de fiéis na Alemanha e sobre o crescimento de grupos de extrema direita no país. Leão 14 afirmou que seria necessário analisar se existe alguma relação entre os dois fenômenos e de que maneira ela poderia ocorrer.

Segundo o papa, os valores defendidos pelo Evangelho estão relacionados à compreensão, à compaixão e ao acompanhamento das pessoas, e não ao ódio ou à divisão. Ele também defendeu que a Igreja estimule a participação política voltada ao bem comum e a formação de cidadãos capazes de fazer escolhas conscientes.

Leão 14 afirmou ainda que pretende manter o diálogo com representantes católicos e protestantes da Alemanha. De acordo com o pontífice, lideranças das duas tradições religiosas já se manifestaram contra a associação entre posições extremistas e determinadas formas de expressão religiosa.

Cenário alemão

A Alemanha vive um cenário de crescimento eleitoral da Alternativa para a Alemanha (AfD), principal força partidária associada à extrema direita no país. A legenda obteve 20,8% dos votos nas eleições federais de 2025 e, em setembro de 2026, venceu a eleição estadual na Saxônia-Anhalt, além de alcançar a primeira colocação em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

O partido é monitorado pelo serviço de inteligência alemão por suspeitas relacionadas ao extremismo de direita. Apesar do avanço eleitoral, as principais legendas alemãs mantêm o compromisso de não formar alianças com a AfD.

Ao comentar o cenário europeu, Leão 14 também defendeu valores associados à construção da União Europeia, como o Estado de Direito e a igualdade entre as pessoas.

Guerra e imigração

Durante a passagem pela França, o papa abordou ainda questões internacionais. Em Metz, cidade próxima à fronteira alemã, defendeu negociações para o encerramento da guerra na Ucrânia e criticou o aumento dos gastos militares na Europa.

A imigração também esteve entre os temas tratados pelo pontífice. Em Paris, Leão 14 visitou uma organização que atende migrantes e defendeu políticas de acolhimento e integração, em meio ao avanço do debate sobre imigração e ao crescimento de partidos de direita radical em países europeus.

A viagem à França marcou uma das primeiras grandes agendas internacionais do pontífice e incluiu encontros com autoridades, religiosos, migrantes e vítimas de abusos cometidos no contexto da Igreja.

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