O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O inquérito foi autorizado em julho pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da PF e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação busca esclarecer o papel do senador na obtenção de recursos junto a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo os investigadores, mensagens, registros de ligações e encontros encontrados no celular de Vorcaro indicariam que Flávio participou diretamente de negociações para viabilizar o financiamento do filme.
A PF afirma que os contatos entre os dois começaram a ser identificados em dezembro de 2024, quando uma reunião com o senador foi marcada para tratar, entre outros assuntos, do projeto cinematográfico. Mario Frias (PL-SP), apontado como idealizador da produção, também participaria do encontro.
As comunicações analisadas mostram, ainda segundo a investigação, cobranças feitas por Flávio para que os aportes fossem realizados. Em setembro de 2025, o senador teria demonstrado preocupação com atrasos nos pagamentos e citado o risco de inadimplência com integrantes da equipe do filme.
Um dos episódios considerados relevantes pela PF ocorreu em 16 de setembro de 2025, quando uma ligação entre Flávio e Vorcaro coincidiu com uma remessa de recursos para um fundo sediado nos Estados Unidos utilizado no financiamento da produção.
A PF identificou US$ 12,33 milhões enviados pela Entre Investimentos ao Havengate Development Fund durante 2025. Um documento localizado nas comunicações de Vorcaro previa investimento total de US$ 24 milhões no projeto.
Os investigadores ressaltam, porém, que a coincidência entre a ligação e a transferência não comprova, por si só, que a conversa tenha determinado o envio do dinheiro.
A apuração também busca identificar se houve uso de empresas ou estruturas no exterior para ocultar a origem ou o destino dos recursos. No caso da suspeita de evasão de divisas, a PF pretende verificar possíveis irregularidades em transferências internacionais.
A PGR apontou a existência de indícios que justificariam o aprofundamento das apurações, mas destacou a necessidade de identificar eventual vantagem indevida relacionada ao exercício do mandato de Flávio.
Até o momento, os documentos mencionados na investigação não apontam um ato parlamentar específico praticado pelo senador em benefício de Vorcaro. A PF pretende justamente esclarecer esse ponto e verificar se houve alguma relação entre os recursos obtidos para o filme e a atuação política de Flávio.
Em mensagens analisadas pelos investigadores, o senador também teria mantido contato frequente com Vorcaro e acompanhado questões relacionadas à produção. A PF o descreve como interlocutor direto do banqueiro nas tratativas sobre o financiamento.
Flávio Bolsonaro admite que procurou Vorcaro para buscar recursos para “Dark Horse”, mas nega qualquer irregularidade. O senador afirma que se tratava de financiamento privado para uma produção sobre seu pai, sem utilização de dinheiro público, e diz que não ofereceu vantagens ao banqueiro em troca dos aportes.





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