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Planilhas apreendidas pela PF indicam R$ 10 milhões para aliados de Bolsonaro

por | 18 set, 2026

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Planilhas apreendidas pela Polícia Federal com Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho e apontado pelas investigações como integrante da cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro, registram supostos pagamentos que ultrapassam R$ 10 milhões a políticos ligados à família Bolsonaro, segundo reportagem do ICL Notícias publicada nesta sexta-feira (18).

Os documentos foram recolhidos em novembro de 2022, durante uma fase da Operação Smoke Free, e passaram a ser analisados no âmbito da Operação Unha e Carne, que investiga a atuação do crime organizado e possíveis relações com agentes públicos no Rio.

De acordo com a reportagem, que teve acesso a mais de 4 mil páginas do inquérito, as planilhas atribuídas a Adilsinho relacionam 61 pessoas. Entre os nomes associados ao grupo político próximo à família Bolsonaro estão o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar (União Brasil), o deputado federal Hélio Lopes (PL), o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem (PL) e o ex-secretário do governo Castro Gutemberg Fonseca (PL).

Os valores registrados são de R$ 3,63 milhões para Castro, R$ 5,43 milhões para Bacellar, R$ 323,2 mil para Hélio Lopes, R$ 91,8 mil para Ramagem e R$ 727,9 mil para Gutemberg. Somados, os valores chegam a cerca de R$ 10,2 milhões.

Segundo um relatório da PF citado pela reportagem, as anotações podem indicar uma estrutura de circulação de recursos destinada ao financiamento político formal ou informal. O documento ressalta, porém, a necessidade de cruzar as informações das planilhas com dados bancários, fiscais, eleitorais e prestações de contas para esclarecer a origem e o destino dos valores.

A investigação atribui a Adilsinho uma atuação de grande dimensão no crime organizado fluminense. Segundo a PF, uma investigação relacionada à Operação Unha e Carne apontou movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões por um grupo criminoso nos últimos seis anos.

Entre os registros, Rodrigo Bacellar aparece associado ao codinome “Barba”. A PF afirma haver elementos que sustentam a identificação, mas a defesa do ex-deputado contesta a informação e nega que ele tenha recebido dinheiro de Adilsinho.

Em nota, a defesa de Cláudio Castro também negou qualquer recebimento e afirmou que os valores atribuídos ao ex-governador constam de anotações produzidas por terceiros. Sobre uma empresa gráfica mencionada na investigação, a defesa disse que os serviços contratados pela campanha de 2022 foram declarados à Justiça Eleitoral e tiveram as contas aprovadas.

Gutemberg Fonseca afirmou que não conhece Adilsinho e negou ter recebido qualquer pagamento do contraventor. Hélio Lopes também rejeitou a acusação e declarou que todas as receitas e despesas de sua campanha de 2022 foram registradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.

A defesa de Alexandre Ramagem foi procurada pela reportagem, mas, segundo o ICL Notícias, não respondeu.

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