O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), tem se mostrado cada vez mais distante do contato direto com a Câmara Municipal. Aliados próximos relatam que o gestor já não demonstra paciência para tratar de demandas dos vereadores. Há, inclusive, parlamentares que acumulam até seis meses sem conseguir reunir com o chefe do Executivo.
Esse afastamento pode ser interpretado de duas maneiras. Primeiro, como uma estratégia de JHC para concentrar sua energia na execução de obras, especialmente no pacote de R$ 5 bilhões que não depende da aprovação da Câmara. Segundo, como um sinal de que o prefeito, de olho em seu futuro político, administra o tempo sem se prender ao varejo político do dia a dia, contando com o fato de que sua base não tem condições de se rebelar contra ele.
Nesse contexto, a figura do supersecretário Júnior Leão ganha destaque. Ele atua como verdadeiro “para-choque” do gabinete, filtrando pedidos, amortecendo pressões e mantendo a interlocução com os vereadores. Essa intermediação, no entanto, deixa evidente que o prefeito prefere blindar-se das disputas menores para preservar seu capital político e projetar-se em outro patamar.
O contraponto mais incisivo a essa postura tem vindo do vereador Rui Palmeira (PSD), ex-prefeito e principal oposicionista. Rui tem usado tanto as redes sociais quanto o plenário da Câmara para cobrar a retomada de obras em bairros periféricos e denunciar o abandono de compromissos assumidos pela atual gestão. Suas críticas, embora incômodas, não encontram resposta articulada da base governista, que permanece em silêncio. Isso reforça a percepção de que a administração municipal e o próprio prefeito revelam incapacidade de reagir às críticas políticas no Legislativo.
A ausência de embates no plenário pode até reduzir desgastes imediatos para o governo, mas abre espaço para que narrativas críticas ganhem força sem contraponto. A aposta de JHC em se afastar da política miúda e confiar apenas no marketing de grandes obras — muitas vezes de caráter cosmético do que estrutural — pode se tornar arriscada: fortalece adversários, fragiliza a base de apoio e transmite a ideia de que sua atenção já não está integralmente voltada à cadeira que ocupa.
Um detalhe importante: Rui Palmeira conhece profundamente a Casa de Mário Guimarães e, por ter sido prefeito de Maceió por oito anos, sabe identificar cada passo da atual gestão. Sua oposição se sustenta no conhecimento detalhado da administração pública municipal, o que torna suas críticas ainda mais consistentes e incômodas para JHC.






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