Por Geraldo de Majella*
Fundado em 2004, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) consolidou-se nacionalmente como uma força de esquerda com presença nos grandes centros urbanos. O partido passou a ter inserção junto a movimentos sociais e populações vulneráveis — como movimentos de luta por moradia e de trabalhadores sem-teto, comunidades LGBTQIA+, mulheres e juventudes — e atraiu intelectuais, artistas e acadêmicos. Com isso, articulou um discurso centrado nos direitos sociais, na igualdade racial e de gênero, na defesa do meio ambiente e da democracia. Em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, essa base social se traduziu em representação institucional relevante.
Em Alagoas, no entanto, o PSOL não conseguiu converter essa identidade política, marcada pela novidade na cena nacional, que, se bem trabalhada, poderia ter resultado em expansão orgânica e eleitoral no estado. Desde 2006, o partido manteve presença regular nas disputas pelo Governo do Estado. Os melhores desempenhos ocorreram em 2014, com Mário Agra, que obteve cerca de 4,7% dos votos válidos, e em 2018, com Basile Christopoulos, que alcançou 4,3%. Nos demais pleitos — 2006, 2010 e 2022 — as votações ficaram abaixo de 2%, evidenciando limites políticos e territoriais, e o partido não se converteu em alternativa a setores da esquerda e do campo democrático que nutrem simpatia por sua agenda.
O momento de maior visibilidade, que parecia indicar uma fase de ascensão, ocorreu em 2008, quando Heloísa Helena emergiu das urnas como um fenômeno eleitoral, com quase 30 mil votos. Naquele pleito, a legenda do PSOL também elegeu Ricardo Barbosa, o que garantiu ao partido uma bancada de dois vereadores na Câmara Municipal de Maceió.
Em Alagoas, a limitada inserção social do PSOL resultou em estagnação eleitoral e orgânica. Mesmo nos momentos de maior visibilidade, o partido não conseguiu transformar desempenhos pontuais em crescimento progressivo nem consolidar uma base política duradoura. Pesam nesse processo a paralisia orgânica da estrutura partidária no estado, a competição desigual com grupos políticos tradicionais fortemente enraizados no interior e na capital, e a dificuldade de converter apoio simbólico de setores intelectuais, artísticos e de movimentos sociais em votos nas disputas majoritárias e proposicionais.
A ausência de um programa político capaz de orientar, de forma contínua e estratégica, a militância e de dialogar com áreas mais amplas da sociedade aparece como um dos principais entraves à ampliação da base de filiados e à afirmação do partido como alternativa política.
O PSOL em Alagoas reúne alguns quadros qualificados, mas permanece limitado do ponto de vista organizativo. Superar esse impasse exige fortalecer a organização local, ampliar o enraizamento territorial e transformar a afinidade política e a presença nas lutas sociais em uma estratégia programática e eleitoral consistente, condição indispensável para que o partido alcance viabilidade política no estado.
*Historiador e jornalista










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