Por Geraldo de Majella*
A conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada por videoconferência nesta segunda-feira (6), teve um desfecho que pegou de surpresa a extrema-direita e a direita brasileira. O diálogo, descrito como “amistoso e construtivo” pelo governo brasileiro e como “muito bom” por Trump, desmontou as expectativas de confronto e hostilidade que bolsonaristas tanto torciam para acontecer.
Enquanto setores da oposição sonhavam com farpas trocadas entre o líder brasileiro e o republicano norte-americano, o que se viu foi um entendimento pragmático, centrado em comércio, tarifas e cooperação ambiental. Lula defendeu a retirada das tarifas de até 50% aplicadas pelos EUA sobre exportações brasileiras e convidou Trump para participar da COP-30, em Belém do Pará, reforçando que o Brasil quer ser parceiro, não adversário, no cenário internacional.
O episódio caiu como um banho frio sobre os operadores do antipetismo internacional, como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, autointitulados porta-vozes da direita global. Do exílio dourado nos Estados Unidos, ambos vinham tentando alimentar a narrativa de que Trump seria o aliado natural do bolsonarismo — e, portanto, um inimigo de Lula. A realidade, mais uma vez, se impôs: política externa se faz com interesse nacional, não com fanatismo.
“Rolou química”, reconheceu, em tom humorado, um diplomata ouvido por fontes em Brasília. E foi exatamente essa sintonia mínima — institucional e civilizada — que a extrema-direita não queria presenciar. A oposição, que tenta sobreviver à base de fake news e ressentimento, perdeu mais um round na arena da política real.
O resultado da reunião mostra que Lula fala de igual para igual com qualquer chefe de Estado, inclusive com um dos mais imprevisíveis líderes da política global. Já os arautos do caos seguem confinados às redes sociais, onde tentam transformar frustração em engajamento.
*Historiador e jornalista






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