Por Geraldo Majella*
A entrada do vice-governador Ronaldo Lessa (PDT) na corrida ao Senado Federal é um dado novo no cenário político de Alagoas. A primeira pesquisa que testou seu nome, sem prévia divulgação de pré-candidatura, registrou 14% das intenções de voto — desempenho que surpreende e reposiciona o debate.
O levantamento foi realizado pelo Instituto TDL Pesquisa & Marketing, entre os dias 23 e 25 de janeiro de 2026, com 1.200 eleitores em todo o estado. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, e a pesquisa está registrada no TRE-AL sob o número AL-03974/2026.
Engenheiro civil, Ronaldo Lessa construiu uma trajetória vitoriosa na política alagoana. Foi vereador, deputado estadual, deputado federal, prefeito de Maceió, duas vezes governador de Alagoas e vice-prefeito da capital. Atualmente, ocupa o cargo de vice-governador. Em sua biografia, falta apenas o Senado Federal — lacuna que agora passa a integrar seu horizonte político.
A leitura da pesquisa exige cautela. Os demais nomes que pontuam no levantamento vêm se movimentando há mais tempo, articulando alianças e consolidando pré-candidaturas. Lessa, ao contrário, aparece competitivo antes mesmo de estruturar a campanha. O resultado sugere recall eleitoral, capilaridade política e potencial de crescimento, especialmente em uma eleição que escolherá dois senadores e que as posições tendem a se alterar ao longo do processo.
Embora seja um político experiente, Lessa pode apresentar características de uma candidatura outsider nesta disputa específica. Não integra o núcleo parlamentar que hoje concentra mandato em Brasília, nem dispõe de emendas parlamentares para “livre distribuição” nos municípios — instrumento frequentemente utilizado por candidatos que exercem mandato federal. Essa condição o diferencia dos demais concorrentes já posicionados, mas não o tira do páreo.
A disputa ao Senado em Alagoas reúne nomes consolidados, como Alfredo Gaspar (União Brasil), Davi Davino (Republicanos) e Arthur Lira (PP), além do senador Renan Calheiros (MDB), candidato à reeleição. A presença de Lessa introduz um elemento novo, especialmente no campo político que apoiou o presidente Lula nas últimas eleições nacionais.
Renan Calheiros e Ronaldo Lessa são, no estado, os nomes mais identificados com o governo federal. Em uma região onde o presidente Lula mantém forte liderança, essa identificação tende a ter peso diferenciado junto ao eleitorado. A candidatura de Lessa representará uma parcela de eleitores identificados com o pensamento progressista, democrático e de esquerda, fortalecendo esse espectro político em Alagoas diante da direita e da extrema-direita.
Maceió, que concentra cerca de um terço do eleitorado estadual, tem relevância na disputa e, para algumas candidaturas, será decisiva. Nesse contexto, Lessa pode se apresentar como alternativa à direita na capital, desde que consiga consolidar apoios e dialogar com setores urbanos que historicamente acompanharam sua trajetória.
Os 14% indicam viabilidade inicial, mas também revelam uma disputa sujeita a alianças, desistências e rearranjos ao longo de 2026. A eleição para o Senado terá dimensão nacional: das 81 cadeiras da Casa, 54 estarão em disputa.
Mais do que uma renovação parlamentar, trata-se de uma eleição com forte peso institucional. O Senado tem competências centrais no equilíbrio entre os Poderes, incluindo a análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal e do presidente da República. Por isso, setores da direita e da extrema-direita atribuem caráter estratégico à disputa.
Em Alagoas, essa dimensão nacional se cruza com as dinâmicas locais. A entrada de Ronaldo Lessa não encerra o debate, mas altera os cálculos. Seu desempenho inicial demonstra que o tabuleiro ainda está em movimento e que, mesmo em um cenário competitivo, memória eleitoral e capital político continuam sendo ativos relevantes.
*Historiador e jornalista






O Povo de Alagoas e o Povo Brasileiro precisam do Ronaldo Lessa como Senador.
Vamos à Luta e à Vitória.
A postura política ambientalista de Ronaldo Lessa lhe permite preencher essa verdadeira orfandade nos demais candidatos. Ao longo de seus mandatos desde deputado estadual, manteve diálogo e apoio às lutas ambientais em Alagoas. Será mais um viés a ser explorado em sua campanha.