No início de julho de 2025, a Prefeitura de Maceió enviou à Câmara Municipal um novo pedido de empréstimo no valor total de R$ 1,2 bilhão, dividido entre R$ 400 milhões para o programa Avança Maceió e US$ 150 milhões (aproximadamente R$ 813 milhões) para o programa MCZ3i, junto ao New Development Bank (Banco dos BRICS).
Diante da dimensão do pedido, os vereadores Rui Palmeira (PSD) e Teca Nelma (PT) manifestaram críticas contundentes sobre a falta de transparência e a forma como o projeto está sendo encaminhado, via regime de urgência, sem o devido debate público.
Para o vereador Rui Palmeira, o momento é delicado e exige responsabilidade do Executivo. “Não podemos aceitar que Maceió se transforme numa cidade refém de empréstimos bilionários. Depois dos bilhões que a Braskem repassou, é fundamental que a população saiba para onde está indo cada centavo. Infelizmente, o que vemos é um governo que prefere empurrar para o futuro uma conta que pode comprometer gerações”, alertou.
Ele ainda destacou a importância do adiamento da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que estava prevista para a última sessão, mas foi remarcada para o dia 8 de julho. “Essa pausa é necessária para que consigamos mais tempo para discutir e esclarecer os empréstimos que a Prefeitura está contratando. Não dá para aprovar esse volume de dívida sem transparência”, afirmou.
A vereadora Teca Nelma reforçou a crítica à pressa da Prefeitura e à falta de informações claras. “Chamar a Câmara para aprovar R$ 1,2 bilhão em regime de urgência, sem dar informações claras à população, é um verdadeiro atropelo”, criticou. “Ainda temos recursos do acordo com a Braskem, que não foram integralmente usados, e sequer tivemos clareza sobre a aplicação dos empréstimos anteriores. Isso não pode continuar assim.”
Ela cobrou a realização de uma audiência pública para discutir o pedido e exigir que a Prefeitura apresente “um plano detalhado, com metas claras, locais específicos para as obras e prazos definidos. Só assim a população poderá acompanhar e fiscalizar o uso do dinheiro público.”
Desde 2021, a Prefeitura de Maceió já contratou empréstimos que somam mais de R$ 2,4 bilhões, incluindo recursos em reais e dólares. Este montante equivale a quase metade da receita anual estimada da cidade, que gira em torno de R$ 4,8 bilhões.
Os dois últimos pedidos — R$ 400 milhões e US$ 150 milhões — adicionam-se a uma série de empréstimos feitos nos últimos anos:
• R$ 25 milhões em 2021;
• R$ 200 milhões em 2022, mais US$ 40 milhões junto ao Fonplata;
• R$ 250 milhões em 2023;
• R$ 400 milhões em 2024.
Rui Palmeira destacou ainda o risco cambial associado às operações em dólar, que dependem da cotação do momento para serem convertidas em reais. “Além de todo esse montante, ainda temos que nos preocupar com a valorização do dólar, que pode aumentar consideravelmente o que será pago no futuro”, ponderou.
A votação dos pedidos de empréstimos está agendada para o dia 8 de julho. Com a pressão da oposição, a expectativa é de que a aprovação não ocorra sem questionamentos e exigência de maior transparência. “O Executivo precisa abrir um canal de diálogo, detalhar os projetos e garantir a participação da sociedade no acompanhamento dos investimentos. É fundamental para a saúde financeira da cidade e para o interesse público”, concluiu Teca Nelma.







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