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E agora, prefeito?

por | 13 ago, 2026

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Por Duse Leite*

Maceió tem uma coisa curiosa: a cidade gosta de novidade. Praça nova, orla nova, calçada nova, ciclovia, espaço para patinete, equipamento novo… Tudo muito bonito, principalmente no dia da inauguração, quando ainda está tudo limpo, inteiro e, de preferência, com uma faixa e uma tesoura por perto.

O problema é que existe uma etapa da obra pública que não aparece muito nas fotografias: a manutenção.

Porque inaugurar é fácil. Difícil é manter.

E foi aí que comecei a pensar no atual prefeito. Quando tudo aquilo começou a ser feito, eu já me perguntava: “E depois? Quem vai cuidar disso tudo?”

A pergunta continua valendo.

Maceió ganhou praças, espaços de lazer, intervenções urbanas e uma nova configuração em vários pontos da cidade. Só que obra pública não termina quando a fita é cortada. Na verdade, é ali que começa a parte mais trabalhosa: cuidar.

Porque banco de madeira também envelhece. Piso também quebra. Equipamento também enferruja. Praça também precisa de pintura. Calçada precisa ser conservada. E até aquilo que parecia moderno pode ficar com cara de abandonado se ninguém olhar por ele.

E tem coisa que já começa a parecer uma prova de resistência para o cidadão. A pessoa sai para caminhar na orla e precisa disputar espaço com bicicleta, patinete, moto e sabe-se lá mais o quê. Talvez daqui a pouco seja preciso distribuir senha para saber quem pode usar a calçada.

Enquanto isso, em outros cantos da cidade, o que já existia também vai pedindo socorro.

Foi aí que veio a notícia de que a Prefeitura precisa de empréstimo.

E agora, prefeito?

Não é uma pergunta contra uma pessoa. É uma pergunta sobre gestão.

Porque quando se recebe uma cidade com muitas obras, muitos equipamentos e muitos compromissos novos, não se recebe apenas a fotografia bonita da inauguração. Recebe-se também a conta da manutenção.

E essa conta não pode aparecer como surpresa.

Maceió já viveu dias em que o lixo tomou conta das ruas. Agora a situação parece estar sendo normalizada, mas a pergunta permanece: quanto custa manter a cidade funcionando, limpa, conservada e minimamente cuidada?

Talvez seja essa a parte que ninguém lembra de colocar na placa da inauguração.

“Obra entregue. Manutenção por conta dos próximos capítulos.”

E eles chegaram.

Agora, prefeito, não basta perguntar o que ainda dá para construir.

É preciso perguntar o que dá para manter.

Porque cidade não vive de inauguração.

Vive de cuidado.

*Funcionária pública e jornalista

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