Por Geraldo de Majella*
O marketing político e o marketing pessoal fazem parte das estratégias utilizadas por JHC para construir sua imagem pública, ampliar sua aproximação com o eleitorado e divulgar suas propostas.
Essa estratégia tem impulsionado sua carreira política. Na prática, o que parece prevalecer não é a preocupação com os resultados da gestão, mas o uso da imagem pública como instrumento de propaganda, capaz de projetar ao eleitorado uma realidade virtual, distante dos problemas concretos da administração.
A lógica é a mesma em relação aos políticos: não há proximidade com aquilo que possa gerar desgaste ou rejeição junto à opinião pública. Tudo passa pelo cálculo e pela orientação das pesquisas. O conselheiro com quem dialoga é o marqueteiro. Esse é o JHC que o mundo político insiste em não enxergar: um Fernando Collor da era digital, com os mesmos defeitos e sem virtudes.
Há menos de 48 horas para registrar sua candidatura — depois de fazer uma pré-campanha sem dizer ao eleitorado qual cargo disputará, se governador ou senador —, o silêncio sepulcral permanece. Detentor de capital eleitoral, está manobrando com o tempo, ao que tudo indica, a seu favor. Esnoba aliados; na prática, não possui aliados políticos. Aqueles que imaginavam tê-lo como aliado descobriram que foram abandonados ao sol escaldante, sem o respaldo que esperavam ou sem os compromissos que haviam acertado.
Os cálculos políticos e os indicativos das pesquisas internas ainda podem levar a indefinição pública para além da data fatal, amanhã, 15 de agosto. Não será surpresa se JHC registrar nomes de laranjas para as chapas majoritárias — governador e senador —, com os respectivos vices e os dois suplentes para o Senado, mantendo a expectativa e a tensão entre o PL e a Federação União Progressista.
Todas as possibilidades devem ser consideradas quando se trata de JHC. Talvez pretenda definir o cargo que irá disputar apenas na reta final. Há um exemplo ainda presente na memória política alagoana: a eleição de Fernando Collor para o Senado, em 2006. Collor entrou na disputa 28 dias antes da eleição, após a substituição do candidato inicialmente registrado. JHC mantém em aberto a expectativa sobre a composição definitiva das chapas majoritárias.
JHC não é conhecido como enxadrista, mas tem ensaiado, no tabuleiro político-eleitoral, lances típicos de quem conhece as pedras. A conferir quem dará o xeque-mate em quem.
*Historiador e jornalista






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