Estudantes da rede pública estadual de Alagoas terão uma nova oportunidade de aprender sobre representatividade, ancestralidade e identidade negra de forma lúdica. No dia 21 de agosto, a Escola Estadual Princesa Isabel, no Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (CEPA), em Maceió, recebe a segunda edição da Oficina de Afrogames e Jogos Africanos & Algo a Mais.
A atividade será realizada nos turnos da manhã e da tarde e é coordenada pelos afroempreendedores Fabíola Santos e Marcello Toledo. A proposta é utilizar jogos de tabuleiro como ferramenta pedagógica para discutir o chamado aquilombamento e estimular reflexões sobre autoafirmação, representatividade e ressignificação de culturas historicamente marginalizadas.
Os afrogames ainda são pouco conhecidos pelo grande público. Trata-se de jogos de tabuleiro contemporâneos que incorporam temas, narrativas ou mecânicas afrocentradas, trazendo elementos relacionados à ancestralidade e à história das populações negras.
Durante a oficina, os jogos são utilizados como instrumentos de aprendizado e interação, aproximando os estudantes de conteúdos relacionados à cultura afro-brasileira e africana. A proposta também busca fortalecer a autoestima e a valorização da identidade negra.
Além do caráter recreativo, a iniciativa dialoga com a educação para as relações étnico-raciais e contribui para a aplicação da Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira no currículo das escolas brasileiras.
Aprender brincando
Os jogos de tabuleiro acompanham a humanidade há milhares de anos e, além do entretenimento, podem funcionar como espaços de experimentação, criação e construção de conhecimento. É justamente nesse potencial do lúdico que a oficina aposta para aproximar os jovens de temas ligados à cultura e à identidade.
A iniciativa já foi realizada em Aracaju (SE) e chegou a Maceió com o apoio de agentes e guardiões da cultura. Nesta edição, o projeto conta com patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas, por meio da Política Nacional Aldir Blanc.
Quem está à frente
Idealizadora do projeto, Fabíola Santos é graduanda em Dança pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), artista e produtora de eventos afrocentrados. Quilombola da Comunidade Maloca, ela também preside o grupo Afro ADUPÉ e pesquisa danças tradicionais brasileiras.
Marcello Toledo é licenciado em Química pela Universidade de Brasília (UnB), especialista em Educação Ambiental pelo Senac/DF e graduando em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Desde 2019, desenvolve atividades culturais relacionadas aos jogos de tabuleiro e, desde 2024, direciona parte desse trabalho à valorização da cultura afro-brasileira por meio de afrogames e jogos tradicionais africanos.
A oficina será realizada exclusivamente para os estudantes da Escola Estadual Princesa Isabel, no CEPA, nos turnos matutino e vespertino do dia 21 de agosto.






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