Por Carol Proner*
Para quem estuda processo constitucional, o Brasil é o “hit” do momento.
A situação de hoje beira o inacreditável e expõe o modelo democrático diante dos grandes arranjos de concentração de poder econômico e político.
É manchete de todos os jornais a escandalosa notícia de que um ministro da Suprema Corte, com base em vazamentos de informações policiais para setores da imprensa, acusa outro ministro de cometer advocacia administrativa, abuso de poder e outros ilícitos.
O advogado Pedro Serrano, em entrevista ao Brasil 247, expõe a complexidade do problema e dá argumentos para organizar as ideias em meio à avalanche de fatos e direcionamento para linchamentos midiáticos.
Serrano identifica a incidência de lógicas cruzadas entre sistema de Justiça e sistema midiático, este pretendendo prevalecer sobre o outro.
Naturalmente, são sistemas que se relacionam entre si, mas um não pode superar a lógica do outro, sob pena de censura ou de cerceamento da defesa e das garantias: a jurisdição não pode ser exercida para censurar a imprensa.
Por sua vez, a imprensa não pode pretender substituir a jurisdição em juízos de justiça.
Esse é o ponto de partida para entender a grave crise que se alastra nos noticiários, no embalo das eleições, expondo o país ao caos institucional, desqualificando advogados, rivalizando juízes, procuradores e a própria Polícia Federal, ao tempo em que favorece estratégias eleitorais sorrateiras.
Alguns jornalistas renomados chegam ao ponto de sugerir o fechamento do STF.
Há uma aposta muito perversa de desestabilização institucional do Brasil.
*Advogada, professora da UFRJ, integrante da ABJD






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