O escritor Robert Kiyosaki, autor do best-seller “Pai Rico, Pai Pobre”, afirmou ter US$ 1,2 bilhão em dívidas relacionadas aos investimentos imobiliários que mantém com sócios. O valor, equivalente a cerca de R$ 6,13 bilhões, foi revelado pelo próprio empresário durante participação no podcast “Get Rich Education”, em maio.
Conhecido por defender o uso de empréstimos para financiar a compra de ativos capazes de gerar renda, Kiyosaki afirmou que o alto endividamento faz parte de sua estratégia financeira.
“Estou com US$ 1,2 bilhão em dívidas e isso assustaria a maioria das pessoas, mas eu uso dívidas para ficar rico enquanto muita gente usa dívidas para ficar pobre”, declarou.
A estratégia consiste, segundo o escritor, em utilizar imóveis valorizados como garantia para obter novos empréstimos. Dessa forma, ele consegue levantar recursos sem necessariamente vender os ativos que possui.
O valor de US$ 1,2 bilhão, porém, não corresponde necessariamente a uma dívida pessoal de Kiyosaki. De acordo com informações publicadas pela revista Vanity Fair, grande parte do montante está relacionada a imóveis que o escritor possui em conjunto com outros investidores.
A ex-mulher e sócia do autor, Kim Kiyosaki, afirmou à publicação que os negócios imobiliários do ex-casal envolvem cerca de 1.500 apartamentos e que os empréstimos estão vinculados a esse patrimônio compartilhado.
“Nós temos muitos prédios de apartamentos com nossos sócios. Então, tecnicamente, sim, temos todas essas dívidas”, explicou.
Segundo Kim, entretanto, a participação individual de Robert Kiyosaki no passivo é bem menor do que o número bilionário divulgado pelo escritor pode sugerir.
Com base em estimativas sobre os rendimentos anuais de Kiyosaki, a Vanity Fair calculou que a parcela atribuível pessoalmente a ele poderia ficar entre US$ 30 milhões e US$ 60 milhões, aproximadamente R$ 153 milhões a R$ 306 milhões.
A diferença entre a dívida dos empreendimentos e a responsabilidade individual é importante porque os imóveis são mantidos em parceria com outros investidores. Assim, o valor total dos financiamentos não representa necessariamente o montante que Kiyosaki teria de pagar sozinho.
Kim também afirmou que o escritor costuma utilizar números de grande impacto para chamar atenção para suas ideias sobre finanças.
“Ele adora dizer coisas que chocam”, disse à revista, ao explicar que Kiyosaki usa o valor de US$ 1,2 bilhão para posteriormente defender sua visão de que determinados tipos de dívida podem ser utilizados como instrumento de construção de patrimônio.
A estratégia defendida pelo autor contrasta com a orientação tradicional de evitar o endividamento. Para Kiyosaki, empréstimos podem ser vantajosos quando utilizados para adquirir ativos capazes de gerar renda ou se valorizar ao longo do tempo.
Apesar da declaração sobre o US$ 1,2 bilhão, portanto, o montante deve ser entendido no contexto dos negócios imobiliários do escritor e de seus sócios, e não como uma dívida pessoal de igual valor.





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