Sergipe é o estado brasileiro com a maior proporção de mulheres entre as candidaturas nas eleições gerais de 2026. Levantamento realizado pela Agência Tatu, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que 39,05% dos candidatos sergipanos são mulheres.
A apuração da Agência Tatu considerou candidaturas para os cargos de governador, vice-governador, senador, suplentes, deputado federal e deputado estadual. Ao todo, Sergipe registrou 402 candidaturas, sendo 157 de mulheres e 245 de homens.
Na prática, isso significa que, para cada dez homens concorrendo nas eleições no estado, há aproximadamente seis mulheres.
Apesar de liderar o ranking nacional, Sergipe ainda não alcança a marca de 40% de candidaturas femininas. O estado aparece à frente do Amapá, com 38,05%, e de Goiás, que registra 37,95%.
Na outra ponta, São Paulo apresenta 33,11% de mulheres entre as candidaturas, seguido pelo Rio de Janeiro, com 33,23%, e Rondônia, com 33,33%.
Os dados mostram que a participação feminina permanece concentrada próxima ao limite mínimo estabelecido pela legislação eleitoral.
Partidos também ficam próximos da cota
A análise da Agência Tatu também mostra diferenças entre os partidos. A Unidade Popular (UP) aparece com a maior proporção de mulheres entre suas candidaturas, com 53,19%.
Na sequência estão PCdoB, com 44,52%; Cidadania, com 42,47%; PSTU, com 40,48%; e PSOL, com 40,15%.
Entre as legendas que lançaram mais de mil candidatos, o PT aparece com 36,71% de mulheres entre seus 1.095 concorrentes. O MDB tem 35,37% de participação feminina entre 1.391 candidaturas.
Já entre os partidos com os menores percentuais estão o PRTB, com 10%, o PCB, com 21,74%, e o DC, com 31,03%.
Considerando novamente as siglas com mais de mil candidatos, o Republicanos registra 33,10% de mulheres entre 1.296 candidaturas, enquanto o PL tem 33,17% entre seus 1.628 concorrentes.
Cota de 30% não garante igualdade
A legislação eleitoral brasileira estabelece desde 2009 que os partidos devem reservar pelo menos 30% das candidaturas para cada gênero. Segundo os dados analisados pela Agência Tatu, todos os estados cumprem esse percentual mínimo nas eleições de 2026.
O levantamento, porém, mostra que nenhum estado apresenta uma proporção muito superior ao limite estabelecido, mantendo a participação feminina abaixo de 40% na maioria dos casos.
Para a advogada Paula Lopes, especialista em gênero e direitos humanos, a dificuldade não está apenas no cumprimento da cota, mas nas condições oferecidas às mulheres para que suas candidaturas tenham competitividade.
Segundo ela, muitas mulheres demonstram interesse em participar da política, mas enfrentam dificuldades para obter recursos, estrutura e espaço dentro dos partidos.
A especialista considera a cota um avanço, mas afirma que a regra precisa ser acompanhada de mecanismos que garantam uma distribuição mais equilibrada dos recursos destinados às campanhas femininas.
Representatividade
Paula Lopes também destaca o impacto da presença de mulheres na política. Para ela, a representação feminina pode ajudar meninas e mulheres a se reconhecerem em espaços de poder e decisão.
A especialista aponta ainda que candidaturas femininas costumam dar maior visibilidade a temas relacionados à maternidade, infância e adolescência, além das políticas de cuidado com idosos e pessoas com deficiência.
Na avaliação da advogada, ampliar a participação feminina exige não apenas discutir uma eventual elevação da cota, mas também fortalecer a fiscalização sobre as candidaturas e verificar se os recursos destinados às mulheres estão sendo efetivamente aplicados em suas campanhas.
Os dados analisados são referentes às candidaturas registradas para as eleições gerais de 2026 e foram levantados pela Agência Tatu a partir da base de dados do TSE.






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