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Adolescentes têm pior desempenho em leitura neste século, aponta Pisa

por | 9 set, 2026

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Adolescentes de 15 anos apresentaram, em 2025, o pior desempenho médio em leitura desde o início da série histórica do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), em 2000.

Os dados fazem parte da nova avaliação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgada nessa terça-feira (8).

O levantamento envolveu cerca de 760 mil estudantes de 91 países e analisou o desempenho em leitura, matemática e ciências.

A pontuação média mundial em leitura caiu de 501 pontos, registrada em 2012, para 466 pontos em 2025.

De acordo com a OCDE, o resultado equivale a um nível de leitura que, em avaliações anteriores, era esperado de estudantes aproximadamente um ano mais jovens.

O desempenho também recuou em matemática e ciências.

Em ciências, a média passou de 506 pontos, alcançada em 2009, para 486 em 2025. Em matemática, a queda foi de 502 para 469 pontos no mesmo período.

Para a OCDE, o aumento do tempo diante das telas e a redução da leitura por prazer caminham junto com resultados educacionais mais baixos.

O secretário-geral da organização, Mathias Cormann, também chamou atenção para mudanças na forma como os jovens leem.

Segundo ele, estudantes estão cada vez mais inclinados a percorrer rapidamente os textos e responder às questões sem uma análise aprofundada.

A distração provocada por dispositivos digitais também aparece no levantamento.

O relatório identificou associação entre distração digital e resultados mais baixos em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais analisados.

Nos países da OCDE, os estudantes relataram utilizar dispositivos digitais, em média, por 3,4 horas por dia útil para atividades de lazer.

Além disso, passam cerca de três horas diárias utilizando esses recursos para aprendizagem, dentro e fora da escola.

A organização não recomendou, porém, uma proibição geral dos smartphones no ambiente escolar.

A avaliação indica que os recursos digitais podem contribuir para a aprendizagem, mas o excesso tende a produzir efeitos negativos.

Segundo Cormann, os resultados começam a cair quando o uso de dispositivos ultrapassa cinco horas por dia.

Outro destaque do levantamento é a utilização de inteligência artificial.

Quase metade dos estudantes afirmou utilizar chatbots regularmente para estudar.

Entre aqueles que recorrem à inteligência artificial para produzir redações, resumir textos ou pesquisar assuntos, entretanto, foram observadas notas de ciências cerca de 20 pontos inferiores.

A diferença é considerada equivalente a aproximadamente um ano de aprendizagem.

Os países do Leste Asiático continuam entre os líderes do Pisa.

China, Japão, Coreia do Sul, Singapura e Taiwan aparecem entre os sistemas educacionais de melhor desempenho nas três áreas avaliadas.

Fora da região, Reino Unido e Estônia também figuraram entre os dez melhores resultados em leitura, matemática e ciências.

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