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Fila por transplante de córnea cresce 24% e chega a quase 38 mil pacientes no Brasil

por | 10 set, 2026

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Quase 38 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante de córnea no Brasil. Segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a fila reúne 37.719 pacientes, número 24% maior que o registrado em dezembro de 2025, quando havia 32.639 pessoas à espera.

O crescimento ocorre mesmo com o país registrando números recordes de cirurgias. Em 2025, foram realizados 17.790 transplantes de córnea, o maior volume já registrado no Brasil.

Para o CBO, o aumento da fila está relacionado à entrada de novos pacientes em ritmo superior à capacidade de redução do estoque acumulado. Com isso, o tempo médio de espera também aumentou de forma significativa. Atualmente, são cerca de 370 dias até a realização da cirurgia, contra 174 dias há dez anos.

Entre os fatores apontados pelos especialistas estão a falta de atualização dos valores pagos pelos procedimentos, os efeitos da pandemia de covid-19 e as dificuldades enfrentadas pelos bancos de olhos. Os custos de insumos, muitos deles vinculados ao dólar, também pressionam a manutenção dessas estruturas.

O conselho cita ainda o aumento das exigências relacionadas à produção, ao processamento e ao controle de qualidade das córneas, o que elevou os custos de operação.

A pandemia teve impacto direto na formação da fila. Em 2020, quando cirurgias eletivas foram suspensas para priorizar o atendimento de pacientes com covid-19, o país realizou 7.349 transplantes de córnea, menos da metade dos 14.942 procedimentos registrados no ano anterior.

Desde então, o número de cirurgias voltou a crescer. Foram 12.869 transplantes em 2021, 14.082 em 2022, 16.028 em 2023, 17.108 em 2024 e 17.790 em 2025.

Diferenças entre os estados

A situação varia significativamente entre as unidades da Federação. O Ceará aparece como um dos principais exemplos de eficiência na gestão da fila. O estado realizou 1.371 transplantes em 2025 e, mesmo com 1.639 novos pacientes ingressando na lista durante o ano, terminou dezembro com apenas 93 pessoas aguardando.

Mato Grosso também apresentou uma fila reduzida, com 37 pacientes ativos no fim de 2025.

No Rio de Janeiro, o cenário foi diferente. Foram realizados 653 transplantes no ano passado, enquanto 1.720 pessoas entraram na fila. O resultado foi um estoque de 4.760 pacientes aguardando o procedimento ao final de dezembro.

São Paulo tinha a maior fila absoluta, com 7.505 pacientes, seguido por Minas Gerais, com 4.532. Apesar dos números elevados, os dois estados apresentam uma relação entre demanda e quantidade de transplantes considerada mais equilibrada que a registrada no Rio de Janeiro.

Amapá e Roraima não realizaram transplantes de córnea em 2025.

Perfil dos pacientes

As mulheres representam 56% das pessoas atualmente na fila. Em relação à idade, quase metade dos pacientes, 47%, tem 65 anos ou mais. O CBO relaciona esse perfil ao envelhecimento da população e ao aumento das doenças degenerativas da córnea.

Também chama atenção a quantidade de crianças e adolescentes esperando pelo procedimento. A fila infantojuvenil chegou a 753 pacientes, contra 616 em dezembro de 2025.

Apesar dos desafios, o Brasil mantém avaliação positiva no cenário internacional e apresenta desempenho considerado comparável ao de países como Canadá e Austrália e de algumas nações europeias. Na América Latina, o país se destaca em relação a Argentina, Chile, Colômbia e México.

Os dados sobre a fila e os transplantes estão sendo discutidos durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador até sábado (12).

 

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