A combinação de eventos climáticos extremos e cidades pouco preparadas aumenta os riscos para a população brasileira. O alerta é da geógrafa Magda Maia, em entrevista publicada pelo Eco Nordeste.
Segundo a pesquisadora, enchentes, secas prolongadas, ondas de calor e incêndios florestais deixaram de ser acontecimentos excepcionais e passaram a ocorrer com maior frequência e intensidade.

Canoas, no Rio Grande do Sul, afetada pela enchente de maio de 2024, durante fenômeno El Niño | Foto: Ricardo Stuckert / PR
Para ela, os municípios devem priorizar a criação de planos de contingência, capazes de definir como agir antes, durante e imediatamente após situações de emergência.
Magda destaca que o Nordeste está entre as regiões que exigem maior atenção. As projeções indicam possibilidade de chuvas abaixo da média combinadas com temperaturas mais elevadas.

Com nascente em meio ao Cerrado, o Rio São Francisco sofre com a degradação do bioma | Foto: Alice Sales
No Semiárido, o cenário pode agravar a escassez de água, afetar reservatórios, agricultura, pecuária e abastecimento das comunidades.
A geógrafa também chama atenção para a irregularidade das chuvas. Mesmo em períodos de estiagem, podem ocorrer precipitações muito intensas em poucas horas, provocando alagamentos e enxurradas.
Ela defende que os planos municipais sejam baseados em mapas de risco, considerando características específicas de cada território, como áreas sujeitas a enchentes, erosão, deslizamentos, ilhas de calor e avanço do mar.
Além da resposta emergencial, Magda aponta a necessidade de investimentos de longo prazo em adaptação climática, incluindo recuperação de rios e áreas úmidas, arborização, corredores verdes e pavimentos drenantes.
A segurança hídrica também deve ganhar prioridade. Entre as medidas citadas estão o reúso da água, proteção de nascentes e áreas de recarga e novas tecnologias para captação e armazenamento.
Para o setor produtivo, a pesquisadora defende uma mudança de postura. Segundo ela, sustentabilidade não pode ficar limitada a certificações ou à agenda tradicional de ESG.
“Não existe economia sem ecologia”, afirma Magda, ao destacar que empresas dependem diretamente de água, energia, matéria-prima e serviços ecossistêmicos.
Ela também defende conceitos como o Water Positive, pelo qual empresas buscam devolver à natureza volume de água equivalente ou superior ao utilizado em suas atividades.
Na avaliação da geógrafa, a preparação para os impactos climáticos precisa envolver governos, empresas e sociedade.

Operação Estiagem 2023, realizada de forma emergencial pela Marinha do Brasil para atenuar os efeitos da seca no Amazonas | Foto: Marinha do Brasil – Operação Estiagem 2023
Magda ainda propõe uma mudança cultural, com maior educação ambiental e compreensão de que os seres humanos fazem parte dos ecossistemas.
Ao citar o conceito de “florestania”, ela defende uma cidadania que reconheça os direitos da natureza e a responsabilidade coletiva pela preservação das condições que sustentam a vida.






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