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Empresa citada pela PF em caso Dark Horse funciona em loja de noivas

por | 12 set, 2026

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Uma das empresas investigadas pela Polícia Federal por suposta participação na transferência de recursos públicos para a produtora do filme “Dark Horse” está registrada em um endereço onde funciona uma loja de vestidos de noivas e roupas para festas, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

O Instituto Super Poder Educacional aparece nos registros da Receita Federal e da Junta Comercial de São Paulo como uma empresa criada em 2023, com atividades que incluem treinamento profissional, edição de livros e comércio atacadista de materiais de escritório.

A reportagem, no entanto, encontrou uma loja de noivas funcionando no local. Um funcionário afirmou que o estabelecimento está no endereço há pelo menos três anos e meio e não possui relação com a empresa investigada.

Segundo decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a investigação apura uma suposta triangulação de recursos públicos federais e municipais que teriam chegado à Go Up Entertainment, produtora do filme.

Parte dos recursos federais veio de uma emenda de R$ 1 milhão destinada pelo deputado Mario Frias (PL-SP) para ações de letramento digital e empreendedorismo voltadas a adultos e adolescentes. A investigação também envolve R$ 108 milhões repassados pela Prefeitura de São Paulo ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalação de pontos de wi-fi em bairros da periferia.

No caso da verba federal, o ICB teria contratado duas empresas, entre elas o Instituto Super Poder Educacional. Juntas, elas receberam R$ 700 mil entre fevereiro e março de 2025.

A PF aponta que os valores teriam sido posteriormente transferidos à Go Up por meio da NTT Brasil, empresa pertencente a Heric Fabiano Dias, irmão de Pamella Cristina Dias, sócia da Super Poder Educacional.

Entre novembro e dezembro de 2025, a NTT Brasil transferiu R$ 750 mil para a produtora. A polícia investiga se os valores têm relação com os recursos recebidos anteriormente.

No mesmo período, Mario Frias também teria transferido R$ 645 mil para a conta da Go Up. A investigação questiona a origem dos recursos e aponta possível incompatibilidade entre o patrimônio do deputado e sua renda declarada.

A empresária Karina Ferreira Gama, dona da Go Up Entertainment, negou irregularidades. Frias classificou a operação da PF como uma “cortina de fumaça”. Os demais citados não responderam aos contatos da reportagem.

O filme “Dark Horse” é baseado no atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018. A produção também é alvo de outro inquérito da PF que apura possíveis recursos desviados de emendas parlamentares.

Além disso, a polícia investiga se parte do dinheiro relacionado ao caso foi enviada aos Estados Unidos para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. As apurações ainda estão em andamento e não representam, por si só, conclusão de responsabilidade criminal dos investigados.

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