A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito divulgou uma carta aberta ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrando a retirada do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master. O grupo também criticou o uso da religião em disputas eleitorais.
Na carta, a organização pede que Mendonça conduza o caso com transparência, equilíbrio e imparcialidade diante da gravidade das suspeitas investigadas.
A manifestação ocorreu após um episódio em um culto, no qual o apóstolo Valdemiro Santiago exibiu uma gravação antiga de Mendonça como se fosse recente. O evento teve a presença de Flávio Bolsonaro (PL) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o vídeo foi apresentado de maneira a sugerir apoio político do ministro ao candidato do PL.
A Frente também questionou os chamados vazamentos seletivos de informações sobre o caso Master. Segundo o grupo, a divulgação fragmentada de dados pode alimentar versões parciais e transformar uma investigação judicial em instrumento de disputa eleitoral.
“ A verdade não pode aparecer aos pedaços, escolhida conforme a conveniência do momento”, afirma a carta.
Por isso, a organização defende que os elementos da investigação sejam tornados públicos, posição semelhante à defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O documento também faz referência à identidade religiosa de Mendonça. O ministro, que é pastor presbiteriano, foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro, que o apresentou na época como alguém “terrivelmente evangélico”.
Para a Frente, a fé professada por Mendonça aumenta, e não reduz, sua responsabilidade no exercício da função pública. O grupo cita passagens bíblicas para defender que a atuação do magistrado seja orientada pela transparência e pelo compromisso com a verdade.
No encerramento, a entidade afirma que a religião não deve ser usada para proteger interesses políticos ou eleitorais. Para o grupo, a fé não pode se transformar em “escudo, palanque ou instrumento eleitoral”.





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