A campanha eleitoral de 2026 corre o risco de deixar em segundo plano os principais problemas do país, diante da combinação entre busca por audiência imediata, conteúdo superficial nas redes sociais e uma crise institucional que domina o noticiário. A avaliação é da presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro.
Em entrevista à Agência Brasil, Samira afirmou que a cobertura eleitoral tem sido marcada pelo que chamou de “tiktokização”, com candidatos recorrendo cada vez mais a conteúdos voltados ao engajamento rápido, enquanto propostas estruturais ficam fora do centro das discussões.
Para a dirigente, a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal e o caso Master tende a continuar ocupando espaço no noticiário. Ela defende, porém, que a imprensa mantenha também uma agenda voltada aos problemas de longo prazo e às demandas da sociedade.
Segundo Samira, o excesso de jornalismo declaratório, baseado na repercussão de declarações e conflitos entre grupos políticos, pode dificultar uma análise mais profunda dos programas de governo. Na avaliação dela, é necessário ampliar a diversidade de fontes e ouvir diretamente a população afetada pelas decisões políticas.
A presidenta da Fenaj também apontou temas que considera prioritários nas eleições, como mudanças climáticas, exploração de terras raras e a instalação de data centers no país. Para ela, essas questões ainda não recebem das candidaturas o espaço necessário no debate público.
Samira também defendeu que a imprensa mantenha a cobertura da crise institucional, mas sem permitir que ela elimine outras pautas relevantes da agenda eleitoral. A preocupação, segundo ela, é que o eleitor chegue às urnas com ampla exposição a conflitos políticos, mas pouco conhecimento sobre as propostas apresentadas para os principais desafios nacionais.





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