A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pretende adotar medidas inspiradas no modelo econômico do presidente argentino Javier Milei. A estratégia inclui a revogação de normas, redução de gastos públicos, privatização de estatais e mudanças nas relações de trabalho.
A coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, afirmou que a equipe já identificou mais de mil normas que poderiam ser revogadas e citou o governo argentino como uma das referências para a proposta.
Entre as medidas previstas está uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para restringir despesas públicas. A campanha afirma que programas sociais, como o Bolsa Família, seriam preservados, mas ainda não detalhou quais áreas seriam afetadas pelos cortes.
O plano também prevê a privatização de mais de 20 empresas estatais. Entre os nomes mencionados estão os Correios, enquanto Daniella Marques não descartou a possibilidade de incluir o Banco do Brasil.
Na Argentina, o governo Milei promoveu um forte ajuste fiscal, com redução de despesas públicas, corte de subsídios e diminuição de investimentos. As medidas foram acompanhadas por impactos sobre aposentadorias, universidades, obras públicas e repasses às províncias.
O modelo também provocou efeitos sobre o mercado de trabalho e a atividade econômica. Segundo dados citados pelo Vermelho, a Argentina perdeu 335 mil empregos formais e registrou o fechamento de cerca de 28 mil empresas ligadas ao mercado interno em dois anos e meio.
A política econômica argentina também incluiu abertura comercial, mudanças trabalhistas e redução do papel do Estado. A reforma das leis trabalhistas ampliou o período de experiência e alterou regras relacionadas a demissões e indenizações.
Embora a inflação tenha desacelerado e a pobreza tenha recuado após atingir 52,9% da população urbana no primeiro semestre de 2024, o país também registrou retração do consumo e dificuldades em setores da indústria e do mercado interno.
Ao apresentar o governo Milei como referência, a campanha de Flávio coloca no centro da disputa eleitoral uma proposta de Estado menor, maior ajuste fiscal, privatizações e mudanças nas regras econômicas e trabalhistas.





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