A entrevista de Ronnie Mota à Tribuna Independente abriu uma nova frente de preocupação para o candidato JHC (PSDB), a 15 dias do primeiro turno.
Ex-presidente do Iprev Maceió, Mota é um dos principais personagens da investigação sobre os investimentos do instituto no Banco Master e, agora, afirma que pretende contar à Polícia Federal tudo o que sabe sobre a operação.
Mais do que as acusações já conhecidas, o que chama atenção são as respostas de Mota quando questionado sobre JHC. Perguntado se o então prefeito tinha conhecimento da aplicação de aproximadamente R$ 117 milhões no Master, ele não respondeu diretamente. Disse apenas: “No momento certo todos saberão. Não posso falar ainda.”
A declaração ganha peso político porque Mota foi nomeado por JHC para comandar o Iprev. Documentos da investigação apontam que JHC era o responsável legal pela unidade gestora perante o Ministério da Previdência e tinha poder de nomear e exonerar a cúpula do instituto. A Justiça Federal registrou esses elementos ao remeter o caso ao Supremo Tribunal Federal.
Mota também afirmou que, depois de sua exoneração do Iprev, não teve mais contato com JHC. Sobre eventual responsabilidade do ex-prefeito, foi igualmente enigmático: “O certo é certo! Sei que da minha parte estou tranquilo. Só posso falar por mim!”
É nesse ponto que Ronnie Mota passa a ser tratado, nos bastidores políticos, como uma espécie de “homem-bomba”. Não porque tenha acusado diretamente JHC, mas porque conhece por dentro a estrutura que participou das decisões do Iprev e sinaliza que ainda não revelou tudo o que sabe.
A situação também alcança João Felipe Alves Borges, atual secretário municipal da Fazenda. Borges integrava o Conselho de Administração do Iprev no período dos aportes e foi alvo da Polícia Federal na investigação.
O caso ganhou dimensão política justamente porque a investigação deixou de envolver apenas antigos dirigentes do Iprev. A PF investiga seis pessoas e apura possíveis irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões em letras financeiras do Banco Master.
Mota, por sua vez, nega qualquer irregularidade. Afirma que seu patrimônio tem origem lícita, que os bens estão declarados no Imposto de Renda e sustenta que ele e JHC teriam sido vítimas de Daniel Vorcaro. Também confirmou ter prestado consultoria informal a JHC nas negociações envolvendo a Braskem.
O problema político para JHC é que, a partir de agora, Ronnie Mota não é apenas um ex-aliado afastado. É alguém que participou da estrutura administrativa responsável pelas aplicações investigadas e que afirma ter informações ainda não reveladas.
JHC sustenta que não é investigado no caso e que o Iprev possui autonomia administrativa e financeira para gerir seus recursos. A defesa de Mota também afirma que não houve dolo na operação.
A questão central, portanto, permanece sem resposta: o que Ronnie Mota sabe e o que ainda pretende revelar à Polícia Federal? É essa resposta que pode definir a dimensão política do caso Master para JHC.







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