Por Geraldo de Majella*
O vice-governador de Alagoas e presidente estadual do PDT, Ronaldo Lessa, tornou-se o centro de uma nova crise política no grupo de JHC. A possibilidade de o PDT se afastar da campanha de Marina Candia, esposa de JHC e candidata ao Senado, já é discutida entre dirigentes do partido e aliados de Lessa.
A crise resulta de uma sequência de mudanças na composição da chapa. Lessa havia deixado o grupo político do governador Paulo Dantas, do senador Renan Calheiros e de Renan Filho, do MDB, para compor com JHC a chapa majoritária da oposição. O entendimento inicial era que ele seria candidato a vice-governador na chapa.
A composição, porém, mudou. A direita e a extrema-direita que apoiam JHC passaram a rejeitar o nome de Lessa, por sua identificação ideológica de esquerda. Alfredo Gaspar (PL) teria defendido outra composição para a vaga, indicando a JHC o nome de sua esposa. O resultado foi a escolha de Célia Rocha para vice-governadora.
Fora da chapa majoritária, Lessa foi deslocado para a candidatura de Marina Candia. O acordo inicial previa que ele seria primeiro suplente. A entrada de Eudócia Caldas, mãe de JHC e sogra de Marina, alterou novamente a composição, deixando Lessa como segundo suplente.
Posteriormente, Lessa renunciou à condição de suplente. O médico Jurandir Boia (PDT) foi indicado para ocupar a vaga.
As mudanças geraram insatisfação no PDT e ampliaram o distanciamento entre Lessa e o grupo de JHC. A crise pode reabrir, segundo dirigentes do PDT, a discussão sobre a possibilidade de uma reaproximação do vice-governador com o grupo de Paulo Dantas. O que está no terreno da especulação e do desejo de parte dos dirigentes pedetistas.
O episódio deixou de ser apenas uma disputa por espaço na chapa para o Senado Federal. Passou a envolver a própria permanência do PDT na aliança de JHC e o futuro político de Lessa.
Até agora, não há decisão formal sobre a saída do PDT da campanha de Marina Candia. As próximas conversas entre Lessa, dirigentes do partido e os demais integrantes da aliança poderão definir os rumos da legenda.
E se houver nova renúncia?
Se Jurandir Boia renunciar à segunda suplência, como o prazo para substituição terminou em 14 de setembro, a vaga deverá permanecer sem novo substituto. Marina Candia continuará candidata ao Senado, enquanto Eudócia Caldas permanecerá como primeira suplente. A legislação eleitoral não permite, em regra, a substituição depois desse prazo, salvo em caso de falecimento. Assim, uma eventual renúncia de Boia não comprometeria a candidatura de Marina, mas deixaria a chapa com apenas uma suplente.
*Jornalista e historiador







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