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Estadão aponta risco de milícias chegarem ao Planalto e cobra explicações de Flávio Bolsonaro

por | 25 set, 2026

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O jornal O Estado de S. Paulo voltou a colocar sob escrutínio a relação do senador Flávio Bolsonaro (PL) com integrantes de milícias do Rio de Janeiro. Em editorial publicado sob o título “Flávio e a sombra dos milicianos”, o periódico questiona a proximidade do candidato à Presidência com Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na organização criminosa ligada ao assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

O caso ganhou repercussão após mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostrarem que Peixe procurou uma assessora do gabinete de Flávio para solicitar recursos destinados a um projeto esportivo no Rio. Em novembro de 2023, uma emenda de R$ 199.999,79 foi destinada ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop). A PF investiga suspeitas de irregularidades na aplicação da verba, enquanto o Tribunal de Contas da União (TCU) também identificou indícios de problemas na execução do projeto.

A defesa de Flávio afirma que a destinação seguiu a legislação e os critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério do Esporte. O senador também sustenta que a responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária.

É justamente essa resposta que o editorial do Estadão considera insuficiente. Segundo o jornal, a explicação apresentada pela campanha não enfrenta diretamente a questão central: a relação entre integrantes do gabinete do senador e um homem condenado por sua participação na estrutura criminosa relacionada ao caso Marielle.

Histórico volta ao centro do debate

O editorial também recupera episódios anteriores envolvendo Flávio e personagens ligados às milícias. O jornal menciona a atuação do senador como deputado estadual no Rio de Janeiro, período em que, segundo registros públicos relembrados pelo periódico, ele fez manifestações favoráveis a milicianos e chegou a homenagear Adriano da Nóbrega, apontado como integrante de uma organização criminosa conhecida como Escritório do Crime.

A relação com o entorno de Adriano também já havia sido objeto de atenção pública: familiares do ex-policial trabalharam no gabinete de Flávio durante seu período na Assembleia Legislativa do Rio.

O novo episódio, porém, ganhou dimensão própria porque envolve uma emenda parlamentar cuja solicitação apareceu em mensagens trocadas entre “Peixe” e uma integrante do gabinete do senador. De acordo com a investigação, o miliciano chegou a pedir que o recurso fosse viabilizado e posteriormente voltou a cobrar informações sobre a liberação da verba.

Caso Marielle amplia pressão

Robson Calixto, o “Peixe”, foi condenado pelo STF a nove anos de prisão por sua participação na organização criminosa relacionada ao assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão também foram condenados pelo tribunal como mandantes do crime.

A investigação sobre a emenda de Flávio faz parte de uma apuração mais ampla envolvendo suspeitas de desvios de recursos públicos destinados a entidades ligadas ao grupo dos Brazão. O caso colocou novamente no debate eleitoral os vínculos mantidos pelo senador, ao longo dos anos, com pessoas posteriormente associadas a organizações criminosas.

No editorial, o Estadão sustenta que o histórico não deveria ser tratado como um episódio isolado e afirma que a candidatura presidencial de Flávio exige que essas relações sejam esclarecidas publicamente. O jornal conclui alertando para o que considera um risco político caso o senador chegue à Presidência: a possibilidade de grupos ligados às milícias ampliarem sua influência sobre o poder central.

A publicação ressalva que cabe aos eleitores decidir nas urnas, mas defende que essas informações sejam consideradas no debate sobre a candidatura.

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